O outro lado do espelho

“Eu tenho essa cara de nojenta, mas sou uma pessoa legal, eu juro!!”

Nunca tive uma justificativa ou uma explicação para a minha pessoa… Geralmente, tento apresentar-me com uma certa introdução para não deixar uma má impressão(às vezes funciona, às vezes não), dizendo que sou melhor depois da primeira conversa e tentando deixar um clima de piada no ar. É quase sempre o mesmo enredo:

Acontece que desde criança eu sou esquisita. Eu nasci sete anos depois do meu irmão e dez anos depois da minha irmã, não fui planejada e tenho quase certeza que minha mãe queria um menino (ela nunca disse, mas eu sempre soube). Bem, o menino ela não ganhou só que veio uma alma de moleque de brinde. A minha delicadeza sempre caiu por terra numa quadra de futebol, em cima de um skate, de um patins. Não tinha santo nem diabo certo que me tirassem essa minha dualidade (até hoje não tem).

No entanto, o que pago pela minha personalidade custa um preço que somente eu sei o quão caro é: a solidão. Não há lugar neste mundo que eu tenha pisado onde senti-me inteiramente aceita! Sempre há um lado meu que fica de fora do enredo, que é ignorado ou questionado a ponto de eu querer escondê-lo.

Eu nunca joguei futebol com as garotas, porém nunca brinquei de casinha com os garotos. Era sempre um ou sempre outro e assim permaneço até hoje: dividida entre o melhor e pior das minhas personalidades. É como ser bom duas vezes mais e infelizmente, ruim duas vezes mais.