Toda a propriedade, todo amor ou prepotência

“sei que falhei. Gozo a volúpia indeterminada da falência como quem dá um apreço exausto a uma febre que o enclausurara.”

Come, come words. Cumpram tua função. 
Não direi que são minhas amigas. São meu ar, meu alento, o sangue que me movimenta, pra bem ou pra mal, pra dentro ou pra fora, são meu ar. meu ar. 
Como ousei esquecer que são vocês que acalmam os ventos, as feras,
as ideias, o torvelinho da minha miséria?
Toda pausa é muito longa. 
E sim eu misturo as linguas. Porque sou louca. Com todo o direito a sê-lo. Com todo direito a sê-lo, ouviram?
E vou citar sem aspas. Vocês que se virem. 
Olha, eu não quero que todos me entendam. Já quis algum dia, aprendi que nem uma alma sobrou pra entender nada. E todos vocês, tão diferentes. Nos seus mundos, suas vidas, sempre de olho na pia e eu de olho na vida. 
Também não entendo ninguém. 
Mas a vida me obriga a irmos juntos… 
E vocês vão contra tudo, não sei lidar com isso.
Clock slayers, 
Assim não vamos longe. 
Errei, errada, errante 
Eu nunca sei da hora
Eu nunca sei de nada
Pode avisar que eu não vou
Aí me falam — com toda a propriedade, com todo amor ou prepotência, seja qual for a motivação, a sofrência… mas falam com tanto foco, tanto enfado, falam, falam — pra ir, que eu peco, que eu mato, que as calotas derretem se eu não for.
Digo que vou, e ninguém me deixa ir — Lá é mais dificil do que você pensa. Que fará lá alguém como você? Não vá. 
Aí não vou. Ai de mim se não vou.
Ai de mim se não fico. 
Ai de mim viver seja como for
Sou graveto seco preso nos seus ventos
Que me interessa se o resto é forte ou se mente e se toda gente sofre ou se toda gente sabe o que faz ou não acredita no que diz?
Que me interessa tanta gente?
Me jogam que nem batata quente, me amassam que nem purê
“Mas toda batata sabe o que faz, menos você!”
Todo conselho é vento no meu graveto
Quisera que eu fosse ponderada, não sou, sou louca.
E a vida dói em cada esquina, 
E acho que eu nasci cansada.
Nasci fraca pra qualquer brisa, pequena pra toca e pra toupeira.
Nasci torta pra perfeccionista, reta pra esquina, errada pra vida.
Não tem explicação pra essa minha defensiva, senão que não sei nem seguir correnteza nem nadar contra — sou peixe e não sei nadar. cada pedra me quebra uma costela, e a vida vai me lavar, lavar embora, lavar a alma, o osso e a calma. 
You’re never gonna get it I’m a hazard to myself
I’ll break it to you easy: This is hell, this is hell.
O que eu tenho de torta eu tenho de feliz 
Mas eu não acerto a hora
Não acerto mesmo
A pressa me deixa tonta, 
Assim como o erro não te satisfaz
Eu não sou de deixar em paz.

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