Movimento feminista para além do desabafo.

Sentir repudia de menstruação está longe de ser uma atitude feminina. É como sentir nojo da terra, do manifesto vivido em nosso corpo. 
A menstruação é o processo orgânico que carrega em si tamanha potência de vida. Lidar com ele como um empecilho, algo a ser colocado em segundo plano e até suprimido é o que inconscientemente nos foi passado pela mentalidade patriarcal e machista.

Vejo que os movimentos feministas muitas vezes perdem pequenos detalhes como este. Para mim, na minha experiência de ser mulher, menstruar é tão significativo quanto a minha própria entrada na vida, meu nascimento.

Seguindo este raciocínio da desconexão do feminino com o ciclo menstrual, também não é de se estranhar o quanto nos distanciamos do parto natural.

Imagine! Se temos nojo de nosso próprio sangue menstrual, lamber a cria quando elas nascem se torna escatológico pela visão machista impregnado em mulheres e homens, mas nunca pela visão orgânica de sensibilização e afeto. Lamber a cria é um ato de amor e sensibilização! Recebemos a cria por inteiro em sua manifestação imanente e transcenente.

Porém, hoje, na maioria dos hospitais, quando nascemos somos prontamente desinfectados, como se tivéssemos saído de um lugar nojento e poluído.

Veja passamos pelo menos 38 semanas lá dentro, nos formando e quando saímos Tanam! Lavam a gente de forma completamente desconectada a essencial necessidade daquele serzinho que esteve naquele espaço tão orgânico, cheio de nutriente e condições. Acredito que por essas e por outras que não é atoa tamanha desconexão perpetuada! Nós vivemos uma brutal abordagem nesse ritual de passagem… e não foi ter que respirar a pior parte como muitos acham!

Acredito que atos políticos que não levem estas práticas e reflexões em sua caminhada são atos de desabafo e deflagração! A final é muita repressão dissimulada por gerações! Repressões estas que muitas vezes passam despercebidas como algo “natural”. SIM! Tem sua importância, mas acredito que é necessário dar um passo mais largo!

Por isso que sinto que a grande revolução acontece na surdina (encontros intimistas) muitas vezes na solitude e na meditação. E trata-se mais de uma revolução interior! Uma revolução na sensibilidade, na sexualidade, na conexão com os ciclos vitais! Uma percepção expandida que transgrida a raiz do machismo para que o feminino (independente de gênero) possa respirar em harmonia com a vida! Em espontaneidade! Sahaja!

Muita coisa, eu sinto! Vivemos em uma guerra de gigantes mas esmorecer não é uma escolha!

Namaskar

Elis Alonso

Sobre a foto escolhida pra ilustrar o artigo: Foi tirada do canal National Geographic,série “In The Womb: Extreme Animals” (No Ventre: Animais Extremos). Escolhi a de um feto elefante pois inspira a conexão com a simbologia ascestral, a sabedoria inata do manifesto!