Eu saí de uma quitinete para uma casa dos sonhos na mata. No começo, senti medo da gente não ter dinheiro, senti medo de eu me sentir isolada e sozinha.
Então uma amiga me disse. Ande primeiro, que o chão aparece depois. Foi o que eu fiz. Fui com medo mesmo. A grana sempre entrou, sei lá como. Zeramos todos os meses. Revi tudo que eu acreditava sobre prioridades
Fizemos nossa escolha: consumir, ter plano de saúde, academia, comida industrializada, restaurantes, vinhos toda semana, ou… viver. Simplesmente viver.
Eu fiz a escolha de trabalhar menos, consumir menos. Tudo pode esperar, menos o desabrochar de uma flor de maracujá, que se abre por apenas um dia. Ela sim, merece pelo menos 5 minutos de contemplação e celebração.
É correr para o jardim para ver uma arara, é ligar para todo mundo para dizer que saiu um arco-íris. É fazer comida junto, partilhar.
Abrir mão de consumir, ganhamos tempo, ganhamos liberdade. Lazer é fazer fogueira, é juntar um amigo ou outro e descobrir uma cachoeira. É tomar banho de piscina no parque público, nadar no lago, no açude ou mesmo na casa do vizinho.
Eu compro roupas de segunda mão, doo o que não preciso, aceito receber de segunda mão. Passo anos sem comprar roupa nova. Tudo bem.
Você pode lavar a louça reclamando, ou cantando. A vida pode ser uma questão de escolha, de perspectiva.