Querido diário,

Hoje choveu. Muito. Mas como não existe uma situação ideal dentro desse mundo, a chuva forte alagou a casa. Pausa para o desespero da situação inesperada. Estava sozinha em casa e tive que ver toda aquela água entrando sem parar por debaixo da porta sem nada que pudesse conter (tentei inicialmente fazer uma “barricada” com panos de chão e um pedaço de madeira grande). A água inundou a sala, os quartos, e estava chegando à cozinha. Não tinha nada que eu pudesse fazer, quanto mais empurrava a água para fora, mas ela insistia em entrar. Abandonei o trabalho, sentei no quintal (também alagado, mas a situação era mais controlável) e chorei de desespero.

Meu marido chegou e me senti menos desesperada. A chuva aliviou um pouco e pudemos limpar tudo e descobri a causa do alagamento. Fim do drama.

Bem vinda, querida umidade (será que essa sou eu mesma admitindo que senti uma saudade enorme da umidade?). O tempo continua negro e há muitas promessas de mais chuva para hoje e os próximos dias. Agora que a necessidade me tornou uma grande especialista em reaproveitamento da água, coloquei todas as bacias e baldes para recolher toda a água da chuva que puder ser armazenada. Pessoas fizeram festa na chuva, hoje. Ouvi gritos e falas empolgadas e eu mesma estava em êxtase antes da água entrar sem ter sido convidada. Mas não tem problema. Mesmo com aquela situação toda, eu me sinto bastante aliviada que o inverno tenha chegado.

Pelo menos eu quero acreditar que é o inverno e não uma ilusão. Mas acho que é o inverno sim, os sapos vem me dizendo isso todas as noites. Sim, eles voltaram a cantar suas canções úmidas. E quando eles cantam durante a noite, é sinal que o tempo úmido chegou e se temos umidade, temos chuva.

A umidade traz os sapos e os cogumelos que teimam em brotar na madeira do rodo do banheiro.

Há esperanças para os meus musgos agora. Acho que posso dá alta e tira-los da UTI.

Ganhei um colete de inverno. Isso significa também que chegou a hora de lavar os cobertores, proteger os cactos e suculentas (com o inverno muito úmido, são eles que precisam de cuidados e atenções, senão apodrecem e morrem) e limpar as botas de borracha (o único calçado permitido na lama que vai se formar na estrada). Sai de cena a poeira e entra a lama. A lama que já fez muitos desistirem de continuar morando por aqui.

Já perdi muita coisa minha para a umidade e o mofo, mas ainda assim, a paisagem de inverno é a minha preferida. Os campos desertos ficam verdes. Os animais tem o que comer e beber. Nas primeiras horas da manhã é possível caminhar dentro das nuvens. Sinto frio, mas posso me proteger dele… como posso me proteger do calor?

O inverno é um lembrete de que estou em casa.

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