Querido diário,

O primeiro semestre de dois mil e dezessete foi vivido por mim numa espécie de limbo. Fiquei apenas vendo a banda passar. Não que agora eu tenha tomado às rédeas da minha vida e saiba exatamente para onde estou indo (desconfio que nunca saberei), mas pelo menos, resolvi tomar algumas atitudes “empreendedoras” (contém ironia).

A primeira delas que resolvi terminar a bendita da pós-graduação, e agora estou às voltas com leituras técnicas/acadêmicas e a pesquisa bibliográfica para o meu tcc (sim, estou pirando).

E logo em seguida, pretendo continuar nessa área (a da cultura) e fazer mestrado e doutorado.

O que farei com os títulos depois? Não tenho ideia, mas pelo menos enquanto estou estudando tenho a desculpa de dizer que estou fazendo alguma coisa com a minha vida. Ok, na verdade tenho planos que precisam de um tempo para elaboração e maturação. Vamos ver o que acontece. Primeiro o tcc da pós, depois o resto.

Estou quase concluindo o inglês. Nem acredito. Isso virou uma questão de honra para mim. Normalmente, nunca consigo terminar o que começo. Resolvi quebrar esse ciclo vicioso de começar/abandonar, começar/abandonar. Isso também está servindo para a minha pós. Por um momento, eu cheguei a pensar em não voltar, deixar para lá, mas eu preciso lutar contra meu niilismo essencial, sabe? Essa tendência de não ver sentido em nada, os eternos porquês e praques que estão sempre rondando minha mente e não me deixando concluir nada…

Final de semana desses cozinhei para cem pessoas. Não cozinhei sozinha, claro, mas eu e meu marido éramos os responsáveis por toda a organização dessa muvuca. Adoro a loucura da cozinha de eventos/festas. Fomos convidados para cozinhar e eu aceitei exclusivamente porque achava que não era capaz. Só pensava em coisas como: “meu deus, como vou dá sabor em quinze quilos de ervilha? Como vou refogar dez quilos de arroz? Terei braço para mexer o caldeirão?” Já tinha ajudado em cozinhas para festas, mas nunca fui a pessoa responsável, a pessoa que diz para as outras o que elas têm que fazer… claro que foi estressante e depois de doze horas ininterruptas em pé, eu fiquei fisicamente devastada. Mas deu tudo certo. A ervilha tinha sabor, o doce de banana com coco finalmente deu o ponto, o arroz não queimou… essas são experiências que gosto de acumular, porque sempre acredito que podem me ser úteis no futuro. Que posso escrever e executar projetos sobre isso. Gosto de alimentar pessoas. É uma das poucas atividades da minha vida que consigo praticar de coração limpo, sem que meu egoísmo tome o protagonismo.

O inverno parece que acabou. Aparentemente.

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