Querido diário,

Está nublado lá fora. Só promessas que não se cumprem. O abastecimento de água da minha casa que nunca foi regular (apenas duas vezes por semana) acabou de vez. As fontes secaram. Estamos na fase de pesquisar entre os vendedores de água de caminhão pipa aquele que tem o preço menos abusivo. Esse drama da agua de certa forma tirou um pouco minha energia e disposição para fazer coisas. Estou entregue a inércia. Estou me iludindo também, dizendo para mim mesma que quando as chuvas chegarem, a situação se normaliza (apesar de que “normal” não seria uma palavra apropriada quando o assunto é água por aqui).

Pois é, estou vivendo um mini apocalipse Mad Max involuntário. A situação é tão braba, que tomo banho de cuia dentro de uma bacia enorme para coletar a água desse banho que por sua vez será usada para descarga do banheiro. Isso é apenas um dos exemplos de aproveitamento máximo. E não, não é legal, fácil, simples, confortável como tentam te convencer por aí. Mas é preciso sobreviver e se virar, sim? E isso serve como um lembrete que se os recursos forem utilizados de maneira responsável talvez a gente não precise chegar à fase dos sacrifícios mais radicais.

Mudemos de assunto.

Pensei: “quero ler alguma coisa, mas queria algo mais leve, tranquilo”. Escolhi uma antologia do Lovecraft. Vai entender.

Assisti uma série muito boa (não sou muito de séries, só consigo acompanhar quando tem um viés mais policial, a única exceção é Got) que meu marido me indicou. Chama-se “Big little lies”. Apenas sete episódios que eu assisti de uma vez. Meu marido assistiu primeiro e me disse para assisti porque eu ia adorar e ele estava certo. É uma serie que oscila entre o drama (apesar da sinopse falar em “comédia de humor negro”) e um tiquinho de suspense policial. Gostei e depois pudemos discutir algumas questões interessantes sobre amizade entre mulheres, relacionamentos abusivos, etc, etc. Fim da resenha.

Estou num bloqueio criativo? Não sei. Não é que me falte ideias, mas não tenho nenhum ímpeto de concretizar nada. Consegui concretizar o tal cachorro feltrado que eu queria fazer e acreditei que iria entrar novamente num ciclo de produção, mas nada aconteceu. Continuo olhando para máquina ou para os materiais e não consigo me convencer a produzir o que quer que seja.

Então eu simplesmente não faço. Deve ter relação com todos os probleminhas que estamos enfrentando: sem água, sem dinheiro, etc, etc. Deve ser isso.

Ontem recebi a visita de um grupo de amigas moradoras da fazenda. Estamos combinando umas reuniões só de mulheres. Talvez aqui em casa. Talvez na fazenda. Não ficou definido ainda, mas é uma proposta bacana. Preciso de um pouco de contato humano.

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