Querido diário,

Estive doente esses últimos dias. Descobri que minha casa é insuportavelmente úmida no inverno. Faz um ano que moro aqui e ainda não tinha enfrentado nenhum inverno e então aconteceu : fiquei gripada. Acho que vale a pena o registro porque gripar é uma imensa novidade na minha vida prosaica, já que não lembro a última vez que isso aconteceu. Fiquei o final de semana de cama. E aproveitei para ver uma longa lista de filmes que eu estava curiosa para assistir.

A gripe me deixou sem voz e tive que cancelar a aula de canto dessa semana. Justo quando eu tinha prometido para minha professora ensaiar “ set fire in the rain” da Adele para ela ouvir (sou dessas que canta adele quando ninguém está olhando). Talvez esse momento épico fique para a semana que vem.

Meu marido trouxe de presente para mim uma erva mate diferente. Além do mate, tem outras ervas misturadas também. Fiquei orgulhosa de mim mesma porque reconheci todos os sabores : tinha erva doce, camomila e cidreira. Achei suave. Gostei, mas sinto um pouco de falta do amargo do mate (adoro!) também.

Estou sentindo uma comichão danada de voltar a pintar e costurar. Isso é bom. Era essa sensação que estava esperando voltar e confesso que senti um medo de que ela não voltasse mais…estive pensando em transformar uma das minhas bonecas de pano em personagem. É só uma ideia que me passou pela mente. Provavelmente terei que treinar e pesquisar mais para isso, porque tenho a ideia mas não sei ainda como fazer. Não tenho técnica para isso. Mas pode ser uma ideia a ser amadurecida no futuro.

Nessa altura da minha vida, não sei o que quero. Acho ridículo confessar isso. É como colocar a placa piscante “perdedora” bem no meio da cara. Mas a verdade verdadeira é que não sei mesmo. E não sei se a minha incapacidade em saber acaba influenciando o resto da minha vida, mas tenho a horrível sensação de que nada dá certo para mim. Não vou entrar nos detalhes sórdidos dessa constatação, apenas deixar impresso o que parece acontecer todas as vezes em que penso em sair do casulo, ou quando crio pequenas expectativas sobre promessas e possibilidades( nunca cumpridas) que os outros me fazem. Não sei lidar. Não sei para onde estou indo.

Nesse momento, começou a chover.