Do amor ao vício : as drogas modernas

Tudo começou depois de uma maratona na netflix vendo uma das suas produções novas assim chamada LOVE

http://youtu.be/Ym3LoSj9Xj8

Pra começar o titulo dá uma noção completamente equivocada…nao é sobre o amor que trata a série mas sobre vício.

O cotidiano das personagens em uma megacidade como Los Angeles da uma sensação reflexiva sobre nossa condição vazia especialmente acentuada nesse tempos. Trabalhos desconectados, relações expressas…parece um espelho, está la tudo o que a gente passa.

A saga da protagonista, pelo menos nessa primeira temporada, parece ser a de tampar um buraco ou consertar um encanamento que insiste em vazar. Seja se drogando, seja correndo atras obcecadamente do tal do amor.

O que está em jogo ali é a condição miserável, nao simplesmente de sermos sozinhos ou incompletos mas nossa insistência em acreditarmos que esse tal buraco pode ser fechado por alguma coisa. Parece que essa vem a ser a angustia moderna. Solapar a existência incompleta. Ou melhor…tentar!

E ai entra a questao da obsessão. E junto com ela o trágico desse cenário que é a repetição. São tempos em que o próprio tempo corre diferente e ninguém tem tempo pra aprender com erros. E somos tragados por um circuito extremamente repetido que nao deixa espaco pra novidade – a menos é claro que seja uma novidade devidamente recomendada (usada e consumida) por alguns experts…tipo o bonequinho aplaudiu do Globo.

Que existência…e é claro que eu estou dentro dela tanto que passei horas consumindo o seriado de maneira completamente compulsiva. É difícil quebrar o ciclo da repetição.

Mas talvez a reflexão que realmente valha a pena seja a relação que vai sendo construída do amor ao vício. E que me parece que a série realmente tenta tocar.

Amar é mais uma fonte de consumo. O que se busca é alguém que complete, não no modelo platônico, mas talvez alguém de quem eu possa tirar o maximo de proveito. Amor lar

Amar parece ter a ver com se descobrir sozinha e tirar disso a conclusão de que alguém vai ocupar o vazio, tal como o pó preenche e sacia, tal como o álcool relaxa e qualquer outro exemplo de drogas que nos tiram do torpor do cotidiano.

Por isso se consome o amor tal como uma droga.

A confirmação da descoberta da solidão ja na mais tenta idade é acompanhada pela promessa da satisfação alucinada (alucinatório talvez?) que um dia vai haver a completude de novo. A repetição começa ai, quando você acredita ma promessa do eterno retorno do equilíbrio perdido.

Pra mim a lembrança da primeira relação amorosa obsessiva existiu. Eu brincava de Barbie, ate o dia que ganhei o Ken e nunca mais pude enxergar felicidade de novo na vida da Barbie que nao fosse compartilhada com o Ken. Parecia uma vida antes mais saudável. Não que a culpa seja do Ken, veja bem, faltava saúde emocional a Barbie mesmo!

E assim se seguiu…quando encontro a terra prometida e iluminada do amor, faço de tudo pra ocupar, telar, cercar e sempre garantir que ela nao fuja mais.

É o amor como propriedade, mercadoria. Mas como mesmo se faz pra amar diferente?

So sei que meu vicío é esse: achar o amor, saber do amor, descrever o amor, querer o amor.

Projeto falido desde o princípio. Aliás nem original esse projeto é, pois ja esta la na origem da filosofia ocidental tentar saber o que são as coisas sem si, sem simplesmente descrevê-las.

Mas ainda bem que o amor não se presta a isso….

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