ESQUEÇA OS HOMENS — PROCURE OS MENINOS (DE ALMA, PELAMOR!)

“Não ria, mas conheci ele num enterro”, ela contou sobre o último affair na roda de amigas, entre taças de vinho. Obviamente que, eu sendo eu, perguntei se ela já tinha visto ele à luz do dia. “Já, ué. Por quê?”. É que minha mente fantasiosa já tinha criado toda uma história em que o cara na verdade não passava de um fantasma e coisa e tal (e quase tomei um cascudo da amiga). Uma piada inconsciente com o fato de que as amigas solteiras dizem que é mais fácil você conhecer um fantasma do que um homem interessante nos dias de hoje (sorry, guys! Rárá).
Brincadeiras e viagens etílicas minhas à parte (ela me garantiu que ele era real — e como!), o romance não engrenou. E a amiga confessou que estava cansada. Cansada de caras cheios de nhénhénhé, problemáticos, com uma bagagem emocional meio heavy e coisas assim. Que faltava era… entusiasmo.
Pura verdade, sabe? Já reparou como romances teen fazem sucesso entre mulheres mais velhas? Tanto os filmecos da Netflix (AMO) quanto livros em que os personagens são mais jovens do que os nossos (cof, cof) 30/40 anos? Tem fundamento — a gente sente falta é daquelas paixões incontroláveis, avassaladoras, é de ser escolhida como a “the one”, é da empolgação. É do cara que fica bêbado em deprê por causa da mulher que não dá bola pra ele; do que aparece de surpresa no trabalho dela. Porque, por algum motivo obscuro, vários homens mais velhos decidiram que isso tudo passou pra eles. Acabou a espontaneidade, acabou a INGENUIDADE. Sei que isso acontece com homens e mulheres — são casamentos desfeitos, separações, filhos no meio do caminho, traições, romances e mais romances que não deram em nada… fica difícil mesmo encarar uma nova paixão com entusiasmo ingênuo, com deslumbramento, com otimismo que não seja totalmente racional: “É, pode dar certo — nossos filhos têm a mesma idade; ela não quer casar de novo então não vai ficar enchendo meu saco… vamos ver qual é”. Ah, pelamor!
Quando a gente fica mais velho e cascudo, e quando já se decepcionou um monte, é duro dar a um novo romance tudo que poderíamos dar, emocionalmente falando. Mas não vale nem tentar? Essa postura de “já aconteceu tudo comigo, agora estou no controle da situação” é muito chata e broxante. E acho que por isso as mulheres se decepcionam.
Não importa se você tem 40, 50, 70 ou 80 — quando você se apaixona, quando começa um relacionamento com uma pessoa, quer ser uma experiência completamente nova e inusitada. Quer ser diferente! Não quer sentir que aquela pessoa não tem mais nada a oferecer. Você quer ser a pessoa da vida dela (e que se dane o quanto de vida ela já viveu antes!). Não quer um idoso emocional de 35 anos.
Por isso o lance é procurar os meninos de alma (e não estou falando aqui dos imaturos que nunca cresceram emocionalmente não, tá). Mas aqueles caras que são homens adultos, sim, mas que ainda têm a alma jovem. Os que são romanticamente otimistas, os que se deslumbram ainda. Que tratam cada experiência como única e genuinamente encantadora. Que ficam de quatro (figurativamente ou não), babando e de peito aberto.
Nem precisa ser Peter Pan pra isso. Nem fantasma.