Os negros que a geração tombamento esqueceu
Julia Masan
18211

Verdadeiramente sei pouco sobre o que é “geração tombamento”, mas, aparentemente, é mais um movimento ligado a estética negra atrelado ao consumo. Não identifico nele uma ditadura comportamental ou algo excludente para além dos padrões de exclusão da nossa sociedade de consumo, não me parece que “a geração tombamento” tem a audácia de querer ser pautada como a última representação do que é ser negro.

Sabe, na real o que percebo nesse texto, bem de leve, é um velho sentimento, quase um fantasma que eu sinto que assola à nós negros, uma cobrança para que sempre pautemos transformações que emancipem a todos, que fujam da realidade do consumo em que estamos inseridos, que sejam “humildonas” e bem delimitadas ideologicamente, que fujam da lógica injusta na qual vivemos quando o mesmo não me parece ser cobrado dos não negros.

Não sei se fica claro o quero dizer, mas acredito que ao contrário de excluir “tombar” também é ocupar um espaço o qual dizem não nos pertencer, um espaço que envolve a lógica mesquinha e desigual do consumo, mas que não exclui e nem parece pretender excluir os outros espaços que precisam ser tomados e nem as formas mais engajadas e ideologizadas de ocupar esses espaços.

A critica que eu acredito ser válida é direcionada ao consumo e suas mazelas, mas essa é uma realidade na qual negros e não negros estão inseridos e a qual eu não me atrevo a dizer que é responsabilidade de nós negros como grupo étnico específico mudar estruturalmente com todo e qualquer comportamento que venhamos a manifestar. Essa responsabilidade é um peso que só deve ser depositado naqueles que o tomam pra si e a qual cabe a todos tomar (negros e não negros), mas que não pode ser imposta.

Por mais “mais ou menos” que possa então parecer no compto geral, “a geração tombamento” ainda sinaliza um avanço para mim, ainda que sua revolução permaneça no campo estético.