grito de guerra
há em mim uma raiva quase juvenil. uma revolta espumante, um grito de guerra, um in-conformismo bárbaro. leveza, me disseram. tens que viver com leveza. tens que aceitar as coisas como são. mas cá estou eu, dezoito anos numa cara de quinze (infelizmente) sentindo as forças dentro do meu peito entrarem em ebulição. vozes na minha cabeça, disputas exaustivas entre o racional e a intuição. só sei que não vou viver o luto dos meus sonhos, assim, tão cedo. não posso. é inaceitável. sou cabeça-dura mesmo. nascida sob um signo de terra, plantada aqui no meu próprio jardim ideal, daqui não saio e daqui ninguém me tira. desistam.
tô vendendo minha alma e minha saúde todos os dias e vou continuar fazendo isso por muito tempo; mas a minha vontade é de mandar tomar no cu. no fim do dia eu só quero uma cerveja, um banho frio e gritar enfiando a minha cabeça no travesseiro. e escrever umas bobagens, uns gritos, brigar com o mundo em forma de palavra escrita. acho que eu nunca vou me cansar de brigar com o mundo. é pra isso que eu escrevo, aliás. é pra não engasgar com essas coisas entaladas na minha garganta, que eu me recuso a engolir.