incertezas

Sou novo. 21 anos só.

As pessoas me dizem que isso passa, que é coisa da idade, que eu ainda vou viver muito.

Mas a sensação de peso do que já vivi e experimentei é algo relevante, ou de alguma forma interfere na jeito que vejo as coisas e, consequentemente, o modo que meu futuro se molda conforme traço meus passos e digo minhas palavras.

Ai se eu pudesse voltar no passado
Como esquecer o que não me convêm?
Apaixonado, eu não sabia me zangar com você
Hoje não sei como amar outra vez

A verdade é que não há como culpar alguém que te magoe, se essa não tiver sido a intenção dessa pessoa. As expectativas que criamos em uma relação amorosa(e não só nelas) que fazem os estragos, as cicatrizes. O conteúdo que projetamos no outro que é o culpado de grande parte dos corações partidos.

Após cada decepção passada, mesmo que causada inconscientemente por nós, nos faz querer afastar do amor, das relações, da criação de raízes. Não há como esquecer o que não me convém. Talvez assim tenha se formado o conceito que Bauman nomeou como liquidez.

O que aprendemos com a amarga experiência é que essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrível e assustadora, mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter a certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se — quando — a roda da fortuna começar a girar em outra direção. (Zygmunt Bauman)

Dessa forma, mesmo que causado por mim, o peso do que vivi influencia diretamente em como vivo e viverei. Não sei se há volta para um status quo de consciente/capacidade de sentir anterior à essas experiências. Não há como criar a ilusão, um novo véu de Maya, que mudará isso.

Mas como disse no início, sou novo. As incertezas me rodeiam e me consomem a cada dia, e há quem diga que o belo da vida é não saber o que vem depois.