Onde se esconde o aprendizado.

Dia primeiro de janeiro. Um dia cheio de esperanças, principalmente em seus primeiros minutos. Naquele momento se acredita realmente que nasce um novo ciclo, que algo novo está à espreita, esperando apenas você bobear para aparecer. Óbvio, pro bem. Esquece que pessoas morrem dia 01, que acidentes fatais de trânsito acontecem dia 01, que raios caem e matam dia 01… enfim, que tudo pode acontecer a qualquer dia, inclusive no primeiro do ano. Mas bem, com tanta esperança positiva, todos esperam o melhor, certos que são ou serão merecedores.

Mas essa talvez seja a questão, o que seria o melhor? Desejamos saúde, paz, amor, dinheiro, sucesso… e para cada um deles, uma cor de calcinha, cueca e afins. Mas não lembro agora de alguém que um dia tivesse pedido simplesmente aprendizado. Pelo menos nunca me disseram. Sim, só isso, mais aprendizado. Afinal, aprender, reter e utilizar o aprendizado é uma grande habilidade. Talvez uma das mais importantes nos dias de atuais, repleto de informações por todos os lados, acessíveis 24 horas. Mas isso já é outro assunto. Excluindo acontecimentos foras do padrão, que não podemos nunca considerar para qualquer plano, a experiência proveniente do constante aprendizado torna-se a mais importante das conquistas, pois pode ser base para todas as demais. O conhecimento ajudará a manter e ganhar mais saúde, a se chegar mais rápido no estado de paz (principalmente a interior), a gerar e manter riqueza, a ter discernimento para conquistar e manter uma relação amorosa, a enxergar oportunidades para novos negócios… enfim, a quase todos as coisas boas que se deseja no início do ano. Isso de forma prática, sem demagogia.

Particularmente, assumo que foi o que pedi ontem, quando os fogos começaram a estourar e a ornamentar o céu, soando mais como um tiro de largada. Desejei aprender, aprender e aprender, cabendo a mim saber utilizar cada coisa aprendida a meu favor e a dos que me cercam.

Viajar indiscutivelmente traz novos aprendizados, mas não precisa ser uma viagem turística. Pode ser uma viagem em livros, cursos, pesquisas, conversas e na experiências das pessoas. Todas têm o que ensinar, todas! O aprendizado está lá, e não está escondido, basta estarmos dispostos e atentos a encontrá-lo. Como publicitário, vejo o mundo pelo lado da curiosidade, do “por quê?”. Sempre fui e ainda sou taxativo ao responder quando me perguntam sobre qual o requisito mais importante para exercer a minha profissão: a curiosidade. Simples, porque é o combustível do conhecimento. Na verdade, acho que para todas as áreas, mas prefiro me limitar ao que exerço. E, sem dúvida, ser curioso é o primeiro passo para ser mais sábio. Não confundir curiosidade com chatice, mas prometo que um dia aprendo sobre isso… não tem sido meu forte.

Lembro quanto tinha meus vinte e pouco e ouvia pessoas de 40, 50 e 60 dizendo que era muito bom envelhecer e amadurecer. Achava balela, pois não compreendia o sentido daquilo, preferindo apenas ser jovem. Mal sabia que elas tinham razão, que o mundo torna-se mais saboroso de degustar, e mais, que podemos amadurecer nos mantendo jovens. Perfeito então! E é o que tenho tentado, ao ponto de trocar qualquer desejo que fiz nos últimos 42 anos pelo desejo de mais aprendizado. E faz tempo que pra mim ele deixou de ser algo difícil, escondido ou inacessível. Quando me parece assim, é só voltar a ser um pouco criança… afinal, sempre gostei de brincar de esconde-esconde.