Sobre o tempo, crises de ansiedade e corações partidos

A história da minha pior crise — e como aprendi a lidar melhor com todas elas.

Cresci com o ensinamento de que um coração partido não é motivo pra você se preocupar. O tempo é a resposta pra tudo. Se ele não resolver, recomponha-se, limpe as lágrimas que tiver para limpar e lembre que você não pode estar assim só porque deu fim a um namoro. Afinal, é só um namoro. E, por mais que pareça, não é o fim do mundo. Sempre concordei severamente com isso, até o dia que a falta da única pessoa capaz de me acalmar durante uma crise bateu de frente com a pessoa em questão.

Eu já sabia o que estava por vir, meu corpo havia passado aquela manhã me alertando: a inquietação; o coração que dava a impressão de ter corrido uma maratona; a cabeça prestes a explodir; a falsa sensação de borboletas no estômago; mãos e pernas que não me obedeciam; a sede insaciável. Tudo apontava para o que eu já sabia, mas me negava a aceitar. Em plena Mostra Científica e com 3,0 pontos na média em jogo, eu não poderia me dar ao luxo de ter uma crise, “não só porque ela vai falar comigo”. Falou. Em outras palavras, puxou um dos meus fones de ouvido — que berravam How To Save a Life — e me questionou sobre síndrome do pânico, crises, como eu estava e todos os últimos acontecimentos, quase como amigos que não se viam há um bom tempo. Tudo isso em um recorde de cinco minutos. E do momento em que tive um daqueles fones arrancados, até o que a vi dar as costas para mim, tudo se intensificou.

Eu ouvia muito barulho, mas meu coração permanecia em silêncio. Se antes sua voz me acalmava, naquele momento soou como unhas numa lousa — obrigada, Gugu! — e cada palavra dita fazia com que a explosão da minha cabeça se aproximasse. Meus olhos doíam como nunca e minhas pernas davam a entender que iriam me deixar na mão dali a pouco. Te ver me dar as costas foi como a causa e a cura: o alívio foi imediato. “Ela já foi, isso já acabou, eu só preciso chegar em casa”; atravessando a rua, o choro engasgado e a queimação no estômago vieram de uma só vez. A sensação de que eu não conseguiria este último e que correr pro conforto do seu abraço seria mais fácil também foi imediata. Respira. Só continua respirando. Você está quase lá — “lá” esse também conhecido como meu quarto –. Percebi quão estúpida estava sendo por estar daquele jeito. Era só o fantasma de um antigo relacionamento batendo a porta. Era só minha mente tentando me sabotar. O pensamento de “o tempo resolve” e “você não deveria estar assim” surgiram também.

Lembrei de quantas vezes confundi físico e psicológico, achando que meu coração partido era a causa de uma dor de cabeça, e, quem sabe, de algo mais sério. Foi aí que me toquei: chega um ponto que essas tais dores se fundem. Naquele momento, eu já não sabia distinguir qual a fonte de cada dor, e percebi que todo dia seria uma luta. Uma batalha contra minha própria mente. Pra me manter sã. Pra me manter de pé, figura e literalmente. Pra não permitir que a dor seja maior que eu.

Foi a partir daí que passei pela minha maior crise.

Foi a partir daí que aprendi que não é minha culpa não ter controle sobre isso.

Foi a partir daí que passei a tratar cada crise como uma velha amiga, tentando ser o mais generosa possível com ela, pra que ela também fosse comigo.

Afinal, eu nunca sei quando ela vai me visitar.