Sexta feira.
É quase meia noite de um novo dia, o meu corpo todo arde, o suor em meu corpo causa incomodo, você sorri como se achasse graça de cada passo meu, então danço de forma solta e despretensiosa, sobre seu olhar de análise. Já eu, olho para você tentando dizer alguma coisa que impeça tudo que estar por vim, mas só canto, e as músicas já dizem tanto. Demoro um pouco para perceber as pessoas ao meu redor, elas também brilham por você, somente por você, pelo bem ou pelo mal, tenho somente olhos para você, você é a luz no meio do escuro, e sua risada era o som que me guaiava.
O meu sangue ferve, procurando algum detalhe naquela cena que faça essa minha lembrança se perpetuar, que faça acreditar que você foi real, então agora, só lembro das luzes e da forma debochada que cantava bem perto da sua boca, como se de certa forma, te beijasse com palavras, agora, em frente à minha mesa, só consigo lembrar do seu olhar me perguntando se aquilo de fato estava acontecendo, e estava.
O seu corpo, todos os nossos corpos, é minha saudade de hoje. A audácia de ser feliz em uma despedida tão repentina, é a minha saudade de hoje.
Agora só consigo pensar nas músicas que perdemos quando saímos de lá, nas bebidas que poderíamos ter apreciado, ou no meu carro que poderia ter demorado mais de chegar.
Estou imersa, naquela última sexta feira, no seu cheiro que tragicamente não impregnou na minha roupa, e por isso estar destinada a cair no meu esquecimento, no seu fio de cabelo não restou no meu quarto, e da minha saudade que calmamente será revestida por aceitação, porque você não está aqui, por que os dois mundos são diferentes demais. Sou insolente, eu deveria só agradecer ao destino por viver aquilo, mas eu queria mais, quero mais, queria você, mas pensando bem, deixa estar.
