Achados do caderninho vermelho

Você me fez gostar de García Márquez e Mia Couto. O primeiro, há muito me inspirava, mas foi no segundo que encontrei neologismos razoáveis pelo afeto que ainda nutro por você.

Lembro-me quando perguntou se eu buscava outro para ocupar o lugar que antes era seu nos meus sonhos. Movida pela ferida do ego e do orgulho, respondi que não. E foi em Mia Couto que achei a resposta para o que nunca soube indagar: o que eu ainda sentia por você.

Tal como a despedideria de “O Fio das Missangas”, respondo agora, mesmo sem questão proposta: […] ambiciono, sim, ser múltiplo de nada. Ninguém no plural. Ninguéns. […]. Tal como ela, não houve despedida, só vertigem na varanda e alma d’água. Não me debruço para não derrubá-la e viver vazia.

Você, Mané Garrincha das palavras, anjo torto e canhoteiro, fala muito em seus silêncios. Sinistro humano, ora mais humano, ora mais sinistro permanece em mim nas palavras que não disse, mas escreveram. E as quais nós pousamos agora nossos pares de olhos azuis.

Escrito originalmente em dezembro de 2012, achado no caderninho vermelho (não é uma metáfora)

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