Família, escola e a formação cidadã da criança

Uma reportagem publicada pela Revista Educação abordou um assunto importante para nós: a relação entre família e escola na formação da criança como pessoa e cidadã abordando os limites dessa. Ouvimos a coordenadora do Ensino Fundamental da Escola Lúcia Casasanta, Rosângela Maria Arruda, que traz um panorama sobre a relação da escola com as famílias. Afinal de contas, quais são as atribuições de cada uma destas esferas? Quem são os responsáveis pela formação pessoal e cidadã da criança?

De acordo com a matéria, que está disponível no site da revista, a relação entre escola e família passa por um conflito de funções sociais. Até a década de 50, a transmissão de valores era papel da família, que representava o ambiente privado enquanto o conhecimento era responsabilidade da escola. A psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão, ouvida pela revista, resumiu: “a família transforma o filhote da raça humana em pessoa. A escola transforma a pessoa em cidadão”.

A coordenadora do Ensino Fundamental da Escola Lúcia Casasanta, Rosângela Maria Arruda, prefere não utilizar a palavra “conflito”, pois acredita que pais e professores sabem bem a função que devem desempenhar. Ela explica que, hoje, a falta de tempo, as exigências do dia a dia das famílias, a necessidade de ajudar as crianças com as tarefas escolares e as dificuldades em lidar com limites são fatores que podem abalar a estrutura familiar e escolar.

De acordo com Rosângela, tanto a escola quanto a família têm responsabilidades. Se antes a escola “passava conhecimento” e as famílias “formavam o caráter da criança”, com tantas mudanças, na prática, essa divisão de papéis não é mais tão definida. Sendo assim, tanto a escola quanto a família são responsáveis pela transmissão de conhecimentos e formação ética. Ambas devem buscar a formação integral e o bem estar da criança.

“A escola precisa dos pais e os pais precisam da escola. Essa parceria deve ser contínua e de muita confiança para que os alunos se sintam seguros, integrados e apresentem resultados cada vez mais positivos. Se construímos uma relação de colaboração e de transparência, há benefícios para todas as partes envolvidas”, aponta.

Quando o aluno apresenta problema de comportamento em sala de aula, quem resolve? É a escola quem deve ensinar a disciplina em sala de aula ou são os pais que, em tese, são os responsáveis pela transmissão de valores do que deveria ser um comportamento socialmente adequado?

“A escola e a família compartilham funções sociais, políticas e educacionais, na medida em que contribuem e influenciam a formação do cidadão. Ambas vão promover o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social de cada criança. A forma como isso vai acontecer depende de cada escola, de cada família e da parceria, do vínculo construído entre elas”, completa.

As famílias estão cada vez mais atentas à educação dos filhos. Dados de uma pesquisa realizada em 2011 pelo movimento ‘Todos pela Educação’ e pela ‘Fundação SM’, citada pela Revista Educação, mostram que 80% dos pais entrevistados estão atentos para que os filhos não faltem às aulas ou se atrasem, além de acompanhar sempre as suas notas. Mais de 50% dos entrevistados impõe horários para que o filho estude. Os dados foram coletados em 1350 entrevistas com pais de todas as classes socioeconômicas do Brasil que vivem em grandes centros e no interior.

Na Escola Lúcia Casasanta, a participação familiar em todos os aspectos que envolvem a formação do aluno é estimulada. Segundo a coordenadora do Ensino Fundamental, “quando a criança percebe que existe uma aliança entre a escola e seus pais, ela se sente muito mais protegida”, diz.

O envolvimento dos pais e professores com a educação dá um suporte emocional e afetivo às crianças. Isso se reflete no bom desempenho escolar de cada um dos alunos.

“É assim que vejo a escola: sem disputa e sem fronteiras. Estamos muito satisfeitos com a forma com a qual temos realizado nosso trabalho”, esclarece.

Mesmo quando se tenta esboçar algum tipo de definição sobre o papel da família, ainda não há clareza definitiva. Cristina Guerra foi ouvida pela reportagem que citamos. Ela tem um filho em idade escolar e acredita que o papel da família é acompanhar o que é feito na escola. “Acho que o professor deve chamar os pais quando achar necessário”. Mesmo assim, ela não é nada passiva e segue de perto o que o filho realiza na escola. “Acompanho lição de casa, quero saber como foi a rotina na sala de aula, como está o comportamento nas atividades, no recreio, na educação física, tudo. A rotina na escola tem que vir com a formação da pessoa”, conta.