Escapatória

A crise existencial nunca é bem vinda, certas vezes necessária. Mas a visita dela chega ser tão constante que acabamos nos acostumando com a sua estadia, e até prevemos os sintomas antes da sua chegada. Cada um lida com ela de um jeito, de uma forma individual. Numa noite de sábado qualquer, eu resolvi lidar com ela coletivamente.

O quão cabisbaixo que eu estava não tinha importância. Uma pintada de bad já era o necessário para causar todo o transtorno interno existente, todos os dilemas (in) existentes. Mas já que era para eu me corroer por inteiro, escolhi fazer isso sem a menor sobriedade possível. Queria estar fora de mim, deixando de lado até o diabinho e o anjinho que habitam o meu subconsciente. Garoa, noite fria. De boa, de frieza eu até que entendia muito bem.

Indo encontrar com um amigo e uns colegas, pela janela do ônibus cada brisa que entrava era uma troca aleatória de coisas que vinham na mente sem a menor necessidade. Mas deixava a brisa entrar, a brisa ainda ia me seguir muito no decorrer da noite. A viagem nem tinha começado. O goró em mãos, cada gole dado era um "foda-se" para todos os pensamentos perturbadores que eu ousei em ter.

Uma casa noturna não tão diferente da minha, já que passo as noites em claro. Na minha, o agito se encontra mentalmente, o barman sou eu, o dj sou eu, a pessoa vazia sou eu. Mas a minha escapatória estava em processo e a noite seria uma criança com insônia assistindo desenho animado [...]

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.