O Tempo e o Tédio

A garoa chega
e o vento forte a traz pro corredor
mais um dia cinza
e o tempo não passou

A janela embaçada
uma avenida calada
e quase não dá pra ver

Um domingo parado
sem a janta na mesa
só a cama ocupada
é fácil de perceber

A calma é caótica
e não tem hora pra sair
a tênue linha entre o isqueiro sem gás
e o tédio capaz de lhe destruir

Então vem a divisão
entre o saber e o não fazer
mais ninguém pode escolher

e vem a punição de errar por querer
é mais um risco pra correr

A mesmice é quem reina
e não tem ânimo em saché
o café ainda amargo, gelado
sem ninguém pra beber

Um olhar conturbado
quase ninguém consegue enxergar
e com um cinzeiro ao seu lado
esquece o tempo e o deixa passar.

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