Emanuela Câmara
Sep 1, 2018 · 2 min read

A maternidade não é previsível em nada pelos olhos.Talvez o corpo já tenha vivido um cansaço parecido e rasteiro como acordar de madrugada. Mas a dificuldade não está nas trocas de fralda ou nas noites mal dormidas.Na verdade é um reino inteiro a proteger e descobrir todo piscar.Ser mãe é ver a biologia molecular pela perspectiva da célula mãe ou até de Deus ,o criador.Quando virei mãe acreditei conhecer Tudo e Nada. Tudo,meu mundo, qual eu tenho e sou.E nada,a película de um portal para um mundo que iria a vir ser a parte nova da minha caminhada exploradora,um espelho negro de Tudo.

Caminhar em direção ao nada me transmitiu meu eu mais verdadeiro vorticista e imagista para a minha literatura de vanguarda pessoal(eu gosto de escrever momentos).Ter consciência das imagens e das ações verdadeiras do mundo yang entre o mundo yin pode doer uma loucura de cada vez.Se aceitar numa viagem psicótica e translúcida da mente visual,escorregando pelos dedos a areia da sinceridade,os sentimentos se figurarem em imagens sem psicologia analítica freudiana para chamar de desejo.

Todos os pesadelos e histórias possuem uma imagem.Todos os sentimentos possuem imaginação e jamais vão ser despercebidos pela alma do olhar.

Marejados pela dimensão prata dos insetos patrônicos daqueles que pousam numa engrenagem para uma conclusão esférica,os olhos continuam me impressionando na maternidade e não para por aqui.

A iridescência é o infra vermelho da solidão e o sentimento da ira despertou em mim um fogo sagrado que ascendeu pela justiça do sonho.Sonho mesmo. Daqueles que a gente tem criança.É possível um arquétipo de larga escala, eu diria, universal, de todo ser desejar ser uma estrela de rock e ter obstáculos de todos os tipos para impedi-lo.

E o sonho é esse: a justiça pela música.

Ser mãe é querer ser uma estrela de rock enquanto Tudo te cobra e o sonho está na direção do nada.É literal e mágico dessa forma.Não há religião que não mostre uma imagem de mãe descobrindo a música da serenidade e da loucura protegendo e descobrindo Tudo no Nada.

Eu sou uma estrela pagã que emergiu a criação para minhas filhas.

Emanuela Câmara

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Cêntricidade de tudo,criativo de nada.