Dos sites para as prateleiras: os escritores online que se arriscam no mercado editorial

O mercado editorial pode ser um salto no escuro para quem começou a escrever apenas como um hobbie.

Certamente alguma vez você já ouviu falar em Wattpad, Nyah! Fanfiction, ou Social Spirit. Esses sites fornecem uma plataforma para que pessoas de diferentes idades e regiões possam divulgar suas histórias sem que precisem custear a hospedagem. Sites que fornecem páginas e páginas de histórias de diferentes gêneros, para atender a qualquer demanda. Os leitores nós já conhecemos, mas quem são os escritores por trás das telas? Muitos não sabem, mas grande parte dos escritores online, hoje publicam suas obras como livros físicos, um sonho que grande parte das vezes partiu da simples ideia de escrever uma história.

Escrever de fato é um dom, mas são necessárias prática, dedicação e acima de tudo estar disposto a aprender, saber lidar com seus erros e possuir a mente aberta para as probabilidades. As plataformas online são benéficas nesse sentido, pois, a interação com o leitor que elas fornecem, colaboram para o aumento da autoestima do escritor, e possibilitam que ele aprenda a lidar com suas falhas e possa reparar seus erros, de forma que aprenda com os mesmos.

As histórias online começaram a ganhar popularidade no Brasil por volta de 2010, quando os grandes best-sellers como Jogos Vorazes, Cidade dos Ossos ganharam suas primeiras adaptações. A demanda do público mais jovem por histórias do mesmo gênero foi aumentando gradativamente, ao mesmo tempo em que esses autores usavam elementos populares nesses livros, e mesclavam com as próprias ideias. O lançamento de 50 Tons de Cinza, se mostrou um forte influente na vida dessas pessoas, uma vez que uma autora de fanfic levou adiante o sonho de escritora, transformando em uma obra original e posteriormente ganhando adaptação para o cinema. Mas o incentivo do público, muitas vezes é o gatilho principal que encoraja essas pessoas a se arriscarem no mercado editorial. E na maioria das vezes não são pessoas com formação acadêmica na área ou muito menos na faixa dos 20 anos, são pessoas comuns, estudantes, donas de casa, motoristas, atendentes de telemarketing, todos com o mesmo sonho: ver suas obras estampadas nas vitrines da livraria.

O advento da internet proporcionou a essas pessoas uma forma de se expressar e testar seus limites e conhecimentos. É certo afirmar que grande parte de tudo isso surgiu através das famigeradas fanfics. Uma vez que o autor percebe seu potencial escrevendo com um universo “emprestado”, as possibilidades para explorar seus talentos são infinitas. E é o caso das autoras Laís Lacet e Juliana Leite, que assim como muitos, começaram escrevendo como um hobbie, e hoje colhem os frutos da difícil tarefa de publicar um livro.

Juliana Cordeiro Farias Leite, 29 anos moradora de João Pessoa, é formada em Letras com Habilitação em Inglês e Análise de Desenvolvimento de Sistemas. Assim como muitos autores, sua inspiração sempre esteve no gênero fantasia, que é o hoje o tema da saga que escreve. “Entre Vidas” veio da paixão pela cultura celta e seus mistérios, ela conta que guardou a história por cerca de 9 anos, pois mesmo com o livro finalizado, não tinha ideia de onde e como publicar, e após as postagens, começou a produzir as continuações. Porém, a venda dos livros e a recepção positiva do público, não impediram o fechamento da editora à qual estava ligada, então precisou procurar outra empresa que estivesse disposta a dar continuidade para sua saga. Hoje, colecionando dois volumes da saga, ela caminha para o terceiro ela considera que sua experiência no mercado editorial foi positiva, e seu livros conseguiram alcançar à expectativa de público que esperava.

Com Laís de Sena Lacet, não foi muito diferente. Engenheira Civil de 22 anos, teve seu primeiro contato com a escrita através do avô, mas apenas na adolescência começou a considerar que o hobbie poderia se tornar uma profissão. Assim como Juliana, ela também se identifica com o gênero de fantasia, apesar de ambas possuírem estilos distintos. Como muitos outros autores ela começou como ficwriter em plataformas online, com o tempo migrando para as originais. Seu livro “A Guardiã”, foi postado primeiramente no site Nyah! Fanfiction, e logo após adaptado para a publicação. A duologia transita entre duas épocas diferentes, ao mesmo tempo em que as protagonistas estão interligadas, mesmo vivendo em anos diferentes. A aposta na aura que envolve magia e um certo drama, foram investimentos que funcionaram para ela, e com a publicação na plataforma online foi benéfica, uma vez que através dela as pessoas puderam conhecer seu trabalho.

O mercador editorial pode sim ser um sonho possível, mas é necessário que o autor tenha cautela, principalmente quando for escolher a editora com quem pretende trabalhar, é preciso estar sempre atento às intenções das pessoas que publicarão a obra. Muitos autores investem pesado para a publicação, dedicam tempo e dinheiro, e no final vêm seu sonho escorrer pelas mãos. Dificilmente uma empresa concordará em publicar um livro sem que haja acordos à parte, muitos se aproveitam da ingenuidade dos novos autores para lucrar em cima de sua obra.

Mas o que é preciso para se tornar um escritor de sucesso? Não há bem uma receita de bolo, a individualidade é uma característica que marca os escritores. Cada estilo e escrita são únicos. Para os escritores que pretendem se arriscar no mercado editorial, o conselho deixado pelas veteranas, é que não se deve desistir do sonho. Pode parecer difícil no começo, e muitas pessoas com más intenções poderão cruzar o seu caminho, mas a recompensa de segurar sua obra, seu esforço e dedicação, compensa qualquer obstáculo encontrado nessa caminhada.

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