Amor de Água

O amor que sinto por você — ah, eu esqueci de dizer, eu te amo — não é algo que tenha um espaço longo no corpo.
Apenas passa por ele, como faísca. O por quê? Falta aquela voz que me acalma; o abraço que me caiba; um lugar embaixo do queixo no qual eu possa repousar. Falta o fogaréu sem intelecto nos recônditos e o fogaréu de intelecto às claras.
Há águas calmas para meus devaneios sim. Há admiração e respeito. Tantas vezes, o que me diz me representa. Mas não fico mirando o movimento de sua boca definindo novas delegações que não confessaria a ninguém.
Eu posso sentir mais prazer em ver seus olhos se fecharem ao terem o meu acariciar nos seus cabelos, do que em nosso beijo, por exemplo. Eu seria capaz de enviar-lhe referências diárias sobre leituras que me lembram nossos perenes diálogos. Pacíficos. Amor de água.
O ciúme de te imaginar amando alguém é casto, feito a irmã mais velha, que sabe que perderá atenção e investimento de tempo. Apenas.
Converse comigo para sempre. Por favor? Eu sorrirei mentalmente lembrando de seus gracejos tolos, pela simples e bonita puerilidade gostosa que eles revelam. Seja feliz, por favor?
:: Marina Monteiro
