Como saber se é hora de mudar de rumo?

Muhammed Salah

Muitos amigos me procuram em pleno raiar de crise. Talvez porque a vida me fez especialista disso. Sempre mudando, sempre de passagem, sempre aprendendo, me despedindo e iniciando novas viagens.

A questão é: e quando estar com um parceiro já não é mais o que você quer?
Lembro-me de um relacionamento afetivo que foi muito importante que tive, no qual eu experimentei o amor pela primeira vez. Amor genuíno, que é aquele que não passa quando a pessoa “vai embora”. Daqueles que raiva e julgamento nenhum se sustentam, sabe? Qualquer descompasso que se tenha vivido juntos, não importa. O que sobra é amor.

Enfim. Lembro-me que num dado momento desta relação, eu sabia que precisava partir. Não sabia explicar o porquê. Eu só sabia que era hora de irmos, que era o melhor para os dois e que a decisão teria de ser uma iniciativa minha.

Não estava claro. Mas, ora… Era simplesmente pelo fato de que não seguiríamos crescendo juntos. Este era o destino — se é que podemos chamar assim. É… Duro de aceitar.

Eu sentia que as nossas prioridades de vida eram diferentes — e que, caso os dois quisessem seguir traçando o que era mais importante a cada um, ou alguém expressaria menos o que tinha potencial de ser, ou teríamos que seguir sem poder estar lado a lado na convivência diária.

Eu escolhi, como disse anteriormente, a segunda opção. Se não o tivesse feito, talvez ele o faria, mais para frente.

Com essa escolha, eu sentia vergonha, medo e culpa de NOS fazer sofrer. Pensei tantas vezes em quantas boas havíamos vivido junto, quantas coisas em comum nós tínhamos! Tantos programas e rotinas que eram nossos e que eu realmente amava.

Mas só vemos as coisas de forma inteira, quando nos afastamos um pouquinho para o lugar de “observador”- de fora. Às vezes, esse processo pode levar anos… Às vezes, não o convidamos para acontecer. Mas como saldo atual, percebo que aprendi com esta pessoa que o que une companheiros de vida não são as coisas em comum. E o que marca o fim de uma jornada entre parceiros de vida são as coisas divergentes entre eles, quando estas são as prioridades para cada um. É o nosso “inegociável” particular, que muitas vezes acaba chocando com o “inegociável” do outro.

A questão é: eu jamais chegaria a ser quem sou hoje se não tivesse vivido cada uma dessas experiências, com este companheiro e com toda e qualquer coisa ou criatura (se é que podemos diferenciar ambas) que me aconteceu no percurso até aqui. E deve ter muito o que acontecer ainda, imagino.

Dói. A gente briga. Briga até com a gente mesmo, principalmente. Porque as vezes é tão claro que nem cabe discutir, não há o que negociar. Qualquer palavra impensada é o risco incalculável de culpabilizar o outro por necessidades que são inteiramente suas. Por questões antigas as quais é você quem tem que se responsabilizar.

Com a maturidade você percebe que não é o caminho, sabe? E precisamos do caminho para alcançar a maturidade. Então, no fundo, não há vítimas. Não há algozes. Vamos sendo… E buscando mostrar algo cada vez melhor do que somos, ao mundo e a nós mesmos.

Pode ser simplesmente hora de crescer por outros trilhos pelos quais, aquele parceiro fundamental e inesquecível para o seu crescimento, não pode seguir junto… E está tudo bem. Todos vivos, em algum lugar, levando consigo o que construíram em parceria. O impalpável não morre.

Mas a gente sempre segue, não é?

Não é porque alguém não está fisicamente em sua vida, que os aprendizados com ela terminaram.

:: Marina Monteiro

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