Imagem retirada da Internet

Das relações que não definimos

Dos conhecidos, colegas, conviventes. Dos beijos casuais. Dos bate-papos superficiais. Das conveniências. Das aparências. Da muita liberdade, pra pouca intimidade. Do muito falar, pro pouco compreender. Da vida, do dia-a-dia. Das mais presentes, mas nem sempre representativas trocas.

Quem ultrapassa comigo esse tipo de relação, provavelmente já me ouviu abordar tal assunto. Confesso que me assusta um pouco perceber o espaço de tempo que grandes amigos deixaram e que novos colegas vieram assumir. O cotidiano segue um fluxo que tem mais a ver com ocupações, do que com preferências. E o cumprimento de tal ordem, inevitavelmente te afasta de gente que te sente, gente que se conecta diretamente com o seu íntimo. Só de escrever, nomes me vêm a mente. Gente que tem por mim amor e constante saudade. Coisas tão inconfundíveis, que os meus amigos vão se reconhecer.

Tenho pensado se acontece apenas comigo. Se sim, desculpe pela proposta de uma reflexão vazia (pra você). Mas creio também estar acompanhada. Falo de convívios impostos. Com quem você ri, discute algumas ideias, toma um chopp no bar, compartilha alguma prática, mas com quem se esquiva da profundidade. Pessoas para quem esconde qualquer fragilidade, são laços sociais. Relações que, claro, também alimentam. Distraem. Nutrem. Ensinam. Só não transbordam, não exploram as subjetividades de um indivíduo, nem suas maravilhosas incoerências. Estão limitados. E como havia de ser? Fala-se de cordialidade, e não de afinidade. Tempo mal administrado? Fico a pensar…

Às minhas melhores conexões, peço a paciência. Que os poucos encontros forneçam o combustível para o todo o tempo de afastamento. Aos colegas, meu obrigada. Vocês interagem no meu dia-a-dia com leveza e generosidade.

:: Camila Serrat

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