“Educar a mente sem educar o coração não é educação” Aristóteles

Retirada de site A mente é maravilhosa

Quantas vezes já fui incentivada a estudar, a me preparar pra vida profissional, buscar diferenciais, a sonhada questão de se destacar em algo, de ser o melhor para aquela função. Me preparar, crescer, ter independência, casar, ter filhos, ser feliz pra sempre… Em contrapartida, quantas vezes fui orientada a cuidar do meu coração? ~ Desromantizando ~, quantas vezes fui orientada a cuidar da minha psiquê?

Grande ato falho. Tanto lugar de fala criado são palcos para a crítica, auto piedade, julgamentos de todo tipo, exibicionismo, enquanto ignora-se de modo geral o ser em si em conversa com o seu universo. Na verdade, nem sei até que ponto esse tipo de diálogo consegue ser consciente na vida das pessoas.

Os resultados disso: a percepção de mesmice quanto ao dia-a-dia; a falta do olhar para o outro, assim como a intolerância ao outro; a intolerância a si mesmo e às próprias frustrações; os laços frágeis; o sentimento de vazio que perpassa silencioso na vida de muitos; a vida aparente pouco vivida, pouco sentida, pouco lembrada. E em termos ainda mais agravantes, o alto índice de depressão, dentre outras doenças do psíquico.

O ser humano é naturalmente inseguro. Alguns demonstram mais, outros menos. Mas a insegurança que mais me assusta é aquela que leva as pessoas a se esquecerem completamente de quem são e no que acreditam em função de falsas necessidades impostas que não sabem, não foram educados a administrar. Tantas atitudes inconsequentes conduzem sobretudo a juventude da qual faço parte, porque não se acreditam bons o suficiente para se manterem sãos em si mesmo, mesmo que em divergência com o meio em que estão inseridos. Rema-se sempre a favor da maré, nunca contra…

Tudo é repetição. Somos resultados de um meio, certamente. E a princípio, não há mal nisso; ninguém vive só e ninguém pode ser feliz sozinho (não falo romanticamente aqui, entendam). Mas poderíamos começar a pensar em uma sociedade que olhe mais para si; que encare mais diretamente seus pensamentos e lide com eles. Que entenda suas fraquezas e condições de fragilidade e, mais uma vez, lide com elas, podendo dividi-las, certamente, mas nunca terceirizá-las em relacionamentos afetivos. Em pais que desacelerem seus filhos e os ensinem a se ouvir, a se compreender dentro de suas virtudes, potenciais e suas falhas possíveis de serem corrigidas. Poderíamos pensar em mais sensibilidade, mais autoconhecimento, em uma melhor e mais generosa percepção do mundo e dos seres HUMANOS que nele vivem.

Menos inconsciência, vulnerabilidade, e insegurança,

menos corações mal-educados.

E correção ao título, trata-se de uma mente bem-educada sim, mas não intelectualmente falando.

:: Camila Serrat

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