Anos de Raiva!

Tic tac, o relógio corre meu amigo.

Estamos ficando velhos, mal trapilhos, ébrios na noite. Nosso sonho está cada vez mais longe. As forças não são mais as mesmas, as noitadas acabam antes do esperado. Nosso corpo está cada vez mais cansado. A cachaça que tomávamos está cada vez mais fraca.

Os poetas que gostávamos estão dando espaço a bulas de remédios, as músicas que dançávamos estão dando lugar a um blues mais dolorido.

É meu guri, tu não é mais aquele garoto que queria tocar rock’n roll a noite toda. Chega de sexo descontrolado, de drogas lícitas e pelo amor de Deus, aquele som ensurdecedor. 
Seguimos nossa caminhada rumo ao anonimato com mais ênfase do que antes.
Largamos mão de nossos sonhos para nos tornarmos pateticamente patéticos.
Mais uma pessoa fazendo peso na escória que é a sociedade, sem deixar legado, sem deixar nada para que as próximas gerações possam acreditar.
Agora meu guri, eu e tu, quantas histórias que vivemos. Se contarmos ninguém acreditará. Alguns amigos que estavam juntos, nem eles acreditam. Quem dirá outras pessoas. 
Fizemos muitas loucuras juntos.
Vamos fazer um teste! 
Ébrios e perdidos: 
Numa belíssima noite de terça-feira com 17 anos, este meu guri, ébrio, quase inconsciente resolveu sair para tomar uma cerveja em uma cidade que não conhecia. Ele estava a 600 quilômetros de casa, em um hotel mais chinfrim impossível. O clima estava agradável, ele já havia tomado uma garrafa de conhaque que tinha na sua bagagem e resolveu caminhar e ver se conseguia flertar alguma moça dessa cidade. 
Saiu cambaleando pela recepção, deixou as chaves e foi, rumo a escuridão da rua.
Ele estava cantarolando um dos sons que mais gostava de fazer, lobo da estepe do cascavelletes, até que entrou em um bar, fedido.
A sua estatura e porte físico não levantava nenhuma suspeita de sua idade aos donos de estabelecimentos como esse, aliais, a nenhum estabelecimento. Nunca foi problema para ele comprar sua bebida e nem seus maços de marlboros.
Sentou bebeu uma cerveja, logo avistou uma moça muito bonita e ofereceu uma bebida para ela, que aceitou de bom grado. Os dois conversaram bastante durante os goles daquela cerveja.
Até que começaram a se beijar, e quando viram estavam dentro do carro da moça e se foram para a casa dela.
Dentro de um amasso e outro as roupas iam caindo, cada vez mais quente o clima e mais envolvente até que este inescrupuloso rapaz chega ao seu clímax. Deitado esperando o tempo passar, entre um cigarro e outro a conversa continuara, cada vez mais pessoal e menos interessante, até que ela chega a um ponto que o deixa preocupado. Ela diz que seu namorado estava tocando em um bar numa cidade próxima, sim, o NAMORADO DELA. Ele já furioso com o fato de ela te ocultado a informação do namorado, se preocupa em dar o fora dali o mais rápido possível.
Eis que acontece o que parecia só acontecer nos filmes. Adivinha quem chega?
Exato, o próprio. O cara era bem grande para uma briga. Ele corre o mais rápido possível, se veste de qualquer jeito, e pula a janela(graças a ODIN era uma casa e a janela era baixa).
Ele já bem bêbado, satisfeito com as entranhas da mulher e com os sapatos na mão, tem que rumar de volta ao hotel que estava hospedado e na espreita do marmanjão que possivelmente estava furioso com o belo par de chifres que havia tomado.
O problema é que ele não conhecia a cidade e estava bem longe do ponto de descanso. Ele tinha uma superapresentação no dia seguinte e tinha que estar descansado. Perdeu-se mais que uma vez no caminho.
O celular que tinha, tinha acabado a bateria e o próximo ponto de táxi era uma pernada dali. Teve que fazer uma pausa no meio do caminho, em um posto de combustível comprar mais um maço de cigarro e dessa vez foi um HILTON LONGO pois não havia o seu precioso MARLBORO.
Dali conseguiu ligar para um táxi e então estava a salvo.
Foi para o hotel e no dia seguinte a apresentação que tivera foi uma das piores que já tivera feito.
O importante na verdade é que este MEU GURI estava vivo e a salvo.
Que fique para a história, e não te esqueça meu guri. 
Tic Tac, o tempo corre e você está cada vez mais velho!
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