Quarentão fodido
São 10 horas da manhã de um domingo quente. O barulho daquelas crianças miseráveis brincando no playground do condomínio me acordaram para a vida, infelizmente.
Levanto com força para tirar a bigorna do meu peito e vou mijar. Quem é homem sabe o quão difícil é mijar de pau duro.
- PORRA, molhei a parede.
Me volto para a pia e lembro de lavar meu pau, umas esfregadas aqui e ali e seco na toalha de rosto que alguém vai usar, porque eu estou pouco me fodendo pra cara dos infelizes que usam meu banheiro.
-Aquela puta me deixou com as costas doendo. Mas que rabo aquele, meus amigos!
Volto pra cama me arrastando de uma ressaca desgraçada e fico mirando o teto.
-O que eu fiz com a porra da minha vida?
Muitos acham que ter uma foda todo dia da semana e ganhar a vida escrevendo é algum tipo de sucesso, mas lhes digo, as putas boas estão ficando caras e elas não me ligam pra perguntar se estou bem.
E as notícias não são boas, nos quarenta, o pau começa a dar os sinais de cansaço e provavelmente como sou um miserável escroto (nota das minhas ex) talvez eu morra aqui e ninguém sinta minha falta. Não preciso colocar meu celular em silencioso porque sei que ninguém irá ligar. E se ligarem, com toda certeza vai ser a Patrícia me cobrando o dinheiro da foda passada, aliás, hoje é domingo. Aproveitando o dia, iriei dormir, só vou levantar pra cagar, comer e mijar. E talvez segunda eu acorde.
-CALEM A BOCA SEUS FILHOS DA PUTA! Malditas crianças.
