Lava, João!

A Verdade é que não existe mistério nenhum no trabalho de João Santana. O “segredo” dele é não ter qualquer tipo de escrúpulo quando se trata de eleger e manter no poder os seus clientes.

Mentira, manipulação, distorção de fatos, ocultação de provas, desconstrução de adversários, chantagem, terrorismo, todos os tipos de armações e cavilações são sua matéria-prima.

Onde outros brilhantes marqueteiros viram limites intransponíveis, João Santana viu oportunidades que o tornaram o maior marqueteiro do momento, mesmo sem ter em seu portfólio nenhuma peça de propaganda que possa ser considerada memorável, a exemplo do jingle das mãos na campanha que James Carville produziu para Fernando Henrique em 1994 (Tá na sua mão, na minha mão, na mão da gente…) do discurso do universitário pobre que Duda Mendonça criou para a campanha de Lula em 2002 (Meu nome é João) ou do emocionante e premonitório último programa dirigido por Fernando Meirelles para a campanha de Marina Silva em 2014.

A fórmula de João, em síntese, é muito simples:

1. Faça uma pesquisa para descobrir o que o povo mais quer e do que ele mais tem medo.

2. Faça toda a sua campanha dizendo que o seu candidato vai fazer o que o povo quer (mesmo que isso seja impossível) e que o principal opositor vai fazer tudo o que as pessoas mais têm medo (mesmo que isso pareça absolutamente improvável).

Junte a isso, sempre, o maior tempo de horário eleitoral, conseguido às custas de negociatas impublicáveis, e o maior orçamento até então, arrecadado em sua maior parte através de achaques e via caixa dois.

Além de conseguir se sagrar como o grande nome do marketing eleitoral na américa latina nos últimos anos, João Santana tem conseguido, também, afastar desse mercado um grande número de publicitários muito mais competentes do que ele no que realmente importa (criatividade, estratégia, montagem e coordenação de equipe, análise de riscos, gestão de crises…) , que ao saberem que ele entrará na disputa simplesmente pulam fora, pois concorrer com ele é como participar de uma corrida de velocípedes onde um corredor compete com uma ferrari.

O efeito colateral é o surgimento de inúmeros seguidores e admiradores do “estilo” João Santana, dispostos a tudo e mais um pouco para levar seus candidatos à vitória, custe o que custar.

E de candidatos doidos pra usar suas mágicas, mesmo sabendo que elas estão perdendo muito de sua efetividade e não têm nenhuma sustentabilidade em prazos cada vez menores.

Sua prisão, além de ser um grande passo para a Lava-Jato, pois essas pessoas comumente são covardes e não estão nem um pouco dispostas a pagar o pato na hora que o bicho pega, poderá também servir de aviso aos “marqueteiros” e políticos dispostos a repetir sua fórmula mágica nas próximas eleições.

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