Aquela série de recaídas.

Uma carreira de pó. Um maço de cigarros. Uma garrafa de vinho. O extrato da conta bancária em cima da mesa serve de canudo. O porta retrato ao lado da televisão hoje tem uma foto minha. Antes éramos nós. Hoje, só, eu.

O armário é tão espaçoso. A cama também. Os dias tem sido ocos. A alma também tem. O tempo me diz pra ter calma. Calma com o que? Eu penso, se já não tenho nada a perder.

Ando pelo apartamento, vazio, buscando ouvir algum som conhecido, como, de repente, teu riso. Aquela risada melódica, cheia de notas agudas que me causava tanto bem estar.

De coração acelerado eu lembro que ainda tenho coração. A droga fazendo efeito não cura a solidão dos meus dias. A agitação do meu corpo compete com a minha mente. Céus, porquê, diabos, tu partiu e esqueceu que eu também era parte de ti?

Hoje tive uma recaida, dessas que todo viciado tem. Meu maior vício não é droga nenhuma, não é bebida alcoólica ou nem mesmo o tabaco. Meu maior vício são teus lábios que, combinados com os meus, causam aquela sensação que só se tem quando se está extasiado. Estava há dois anos sem fumar, seis sem cheirar, quatro meses sem beber e, hoje, um mês sem ti. Dessas recaídas eu entendo. Elas sempre voltam. Só tu que não voltou.