Demorei muito tempo pra entender de fato o que era o amor. Acho que ainda tenho muito que aprender sobre ele. Mas hoje, com quase vinte e sete anos nas costas, uma infinidade de relacionamentos e pessoas que chegaram e foram embora, uma coisa eu posso afirmar: amor é liberdade. Nós crescemos lendo contos de princesas e príncipes encantados, de finais felizes para sempre, de casais que se formam e jamais se separam. Mas e a vida real, como é?

Provavelmente, em algum momento da vida, todo mundo leu — ou ouviu falar — a seguinte frase do livro O Pequeno Príncipe: “Tu te torna eternamente responsável pelo que cativas”. Ora, pra que sobrecarregar o amor desse jeito? O amor é leveza, sutileza. Muito mais gestos do que palavras. O amor é estar lá, mesmo sem precisar. É saber que todo pássaro uma hora há de partir e talvez não voltar. É saber que seu coração pode ser a casa de alguém mas a qualquer momento esse alguém pode querer se mudar e e fazer lar em outro lugar e mesmo assim, mesmo que isso nos fira, ainda nos sentirmos felizes e gratos simplesmente por termos amado. O amor está na confiança criada no dia a dia. Nas palavras de afeto. No abraço apertado quando o outro precisa de nós.

Já li, também, que o amor é doação. Vivi na prática muitas vezes essa situação e posso afirmar, não, o amor não é só isso. As pessoas acham que se doar é o mesmo que anular seus sentimentos em prol de outra pessoa, pra que o outro goste de nós e isso nos maltrata. Nos sobrecarrega. Nos fragiliza. Amor não é fragilidade, é fortaleza. Nós nos prendemos a relacionamentos com medo da solidão, com medo, muitas vezes, de nós mesmos. Mas é na solidão que a gente se conhece. É na solidão que podemos tirar um tempo pra nós mesmos e citarmos feridas que ficam abertas. Na solidão a gente pode conhecer a dor e aprender a senti-la.

Amor é liberdade e é isso que espero — e quero — dele.