Carta para Johnson & Johnson

Quem sou eu? Emília Fortes Rocha. Nascida no dia 22 de março de 1996. Uma sexta feira. Sou doida da limpeza e da organização. Gosto de coisas fofas e para esse Natal quero muito ganhar meias.

Acredito que a minha maior conquista foi achar o meu curso: Sistemas e Mídias Digitais. Durante todo meu último ano do colégio estava bem perdida sem saber o que fazer. Estava entre muitos cursos, mas principalmente entre Ciências da Computação e Teatro. Isso mostrava muito o que eu estava buscando, arte e tecnologia. Durante uma visita a Universidade Federal do Ceará descobri o stand SMD, que estava bem ao lado do Teatro. Pode parecer uma conquista besta né? Mas se eu não tivesse feito isso, teria ido para o Direito como toda a minha família estava falando e não teria sido feliz. Já escrevi num post uma vez, o SMD é como uma família para mim. É o seu pequeno e isolado nicho com suas confusões, mas que quando necessário todos se juntam para fazer um bem maior.

E com isso eu ligo para o meu maior orgulho. Ter organizado o Media Week 2017 e 2018. O Media Week é a semana do curso, onde as aulas são dispensadas para que os alunos tenham oficinas, mesas redondas, palestras com pessoas de fora e também com alunos do curso. Muita gente organiza a semana do seu curso, mas pra mim os Media Week foram as melhores semanas de curso que pode existir. Nas duas edições tiveram convidado de fora do Ceará, 4 dias de evento (de 9h às 20h) com mais de uma atividade acontecendo ao mesmo tempo, mais de 300 participantes na de 2017 e mais de 350 na de 2018. E tudo isso só foi possível porque tinham 30 alunos por trás. Eu acordava 6 da manhã e ia dormir 11 da noite durante todos os dias (tinha o dia anterior e depois para organizar o espaço). Desgastante, mas que no final todo mundo se junta e fica feliz porque sabe que foi um sucesso. Eu não falei o que fiz exatamente, mas meu “Título” era de Diretora Financeira. Na teoria eu era a pessoa que gerenciava todo o dinheiro, fazia orçamento, controlava o caixa de inscrições e das vendas e prestava contas com professores e diretores do instituto, pois o dinheiro que usamos é público. Na prática eu fiz tudo isso e gerenciava pessoas para organizar salas e laboratórios, carregava mesa/cadeira/objetos de um lado pra outro, ia buscar e deixar convidado em aeroporto ou hotel além de assistir as palestras e oficinas quando dava tempo. Ficou grande, mas do seu orgulho você fala bastante, porque é como um filhinho.

Meus maiores aprendizados foram na disciplina de Teoria e Crítica do Design. Eu sou uma pessoa muito sincera, na lata. Se eu não gosto de algo eu falo “não gostei”. Se eu gosto de algo eu falo “gostei”. Isso pode até ser bom, mas nem sempre. Essa disciplina, apesar de ser focada no design, pode ser aplicada em qualquer crítica do dia-a-dia. Eu aprendi a criticar sem magoar os sentimentos das pessoas, aprendi a receber críticas sem me sentir humilhada. E a desapegar do meu trabalho. Esses são ensinamentos que sem dúvida levarei até ser bem velhinha.

Minha maior mudança e transformação com certeza foi durante o Ciências Sem Fronteiras. Antes, eu levava a faculdade meio que levando, nunca fui para uma prova final, nem trancar disciplina, minhas notas sempre estavam acima da média. Mas depois de viajar e passar um ano fora eu percebi a qualidade de ensino que eu tinha no Brasil. A Arizona State University tinha uma infra-estrutura maravilhosa! Sem dúvida, muito melhor que tenho aqui. Mas os professores pareciam não querer dar aula, não ligavam se um aluno estava triste ou se faltava muitas aulas sem motivo. Tudo muito robótico. Isso me desmotivou e lá eu estava fazendo os trabalhos bem mais ou menos e, mesmo assim eu tirava um A, que no Brasil eu tinha que virar noite pra conseguir um 8,5. Depois que eu voltei do CsF eu virei outra aluna, comecei a apreciar os professores daqui, a qualidade das aulas, dar o meu melhor para ser a melhor aluna possível.

Para o pessoal do Ensino Médio que vejo duas vezes por ano eu sou uma louca que faz 500 mil coisas e se mete em tudo que aparece. Quando a gente se reúne cada um faz seu resumo do semestre o meu é sempre uma palestra de uma hora. Para os meus amigos da faculdade eu sou a menina baixinha que fica com raiva fácil, odeia festa, perfeitinha pros professores e uma fadinha abusada no RPG. Pros familiares eu sou a menina que ajeita celular e WhatsApp.

Eu quero trabalhar com pesquisa com usuário, então sempre gosto de procurar novos questionários, metodologias e o que está mudando na área. Fora da parte de trabalho eu facilmente perco meu tempo fazendo planilhas sobre Animal Crossing, procurando códigos online para o Pokémon (não o Go, aquilo é um jogo muito, muito ruim. O meu Pokémon é o de verdade pro 3DS) e vendo vídeos no YouTube de pessoas que acompanho desde 2011.

Na sinceridade aqui, eu e você recrutador da Johnson & Johnson. Esse é só mais um processo de Trainee que estou participando. Não existe algo para mim que “oh! Johnson & Johnson!”. Eu só estou tentando arrumar um emprego após a faculdade. Eu gosto de trabalhar com os usuários.

Usuários = compradores? Pode ser.

Usuários = funcionários da fábrica? Pode ser.

Usuários = executivos? Pode ser.

Eu quero trabalhar com usuários. Quais são os problemas dele? O que é possível fazer pra solucionar? Existe algo que as pessoas só aceitam que é assim e nunca mudam? Eu quero mudar. Eu quero ser a pessoa que descobre o problema e pensa numa solução pra ele e acompanha pra ver se a solução tem efeito positivo. Isso que eu quero fazer da vida. Pra mim, não importa a empresa, o local, a área de atuação. Eu quero mudar positivamente a vida das pessoas, seja no trabalho, seja na hora de comprar algo, seja onde for.

Esse é o meu objetivo: fazer algo que mude, de alguma forma, a vida de alguém.

Obs: ficou com 1054 palavras. :|