O que te faz se sentir um lixo?

Às vezes, por mais que a família e os amigos tentem nos animar, fazendo com que nos sintamos bem, a sensação de se sentir um lixo persiste na nossa cabeça.

Mas, estava eu aqui pensando, de onde exatamente vem essa sensação terrível de se comparar a algo imprestável e que pode ser jogado fora e esquecido, sem utilidade alguma?

No meu caso, variados fatores me fazem sentir assim. Quando estou ocupada com outras coisas (trabalhando, vendo série, passeando, me divertindo…), eu consigo me distrair desse tipo de pensamento. Mas, algo mínimo pode funcionar como gatilho emocional e me jogar para baixo instantaneamente.

Ninguém gosta de se sentir um lixo

O que vou escrever pode ser um clichê para alguns, mas por mais que eu queira recusar a ideia de que a sociedade exige coisas de mim e eu devo algo a ela, acabo aceitando isso inconscientemente, em pequenas atitudes do dia a dia.

Por exemplo, eu gosto muito de Pinterest. Acho uma ótima ferramenta para agregar ideias e conteúdo e me ajuda bastante no trabalho, já que é uma rede social baseada em criatividade. Mas, de uns tempos para cá, não sinto prazer em ver imagens bonitas e comecei e me sentir mal só de passar alguns minutos ali.

Psicologicamente, estou vulnerável. Ao invés de me distrair vendo fotos, comecei a pensar em como estava longe de conseguir coisas mínimas e como essa frustração me afetava. Imagens de pontos turísticos me remetiam a lugares que somente poderei conhecer na minha imaginação. Um espaço aconchegante me levou a constatar que não sei o que é um lar para mim.

Quando até acessar o Pinterest funciona como gatilho emocional

Por mais que eu tenha plena consciência de que tudo é uma questão de prioridades e oportunidades, quando meu emocional está danificado, as coisas aparentemente mais simples e bobas fazem diferença para mim.

Eu sei que todos temos problemas, mas alguns com os quais lido se tornaram insustentáveis e insuportáveis. Às vezes, repasso uma lista mental das coisas que conquistei até aqui, só para não me deixar abater por pensamentos negativos.

Tento ordenar as minhas qualidades, que superam problemas como ansiedade e depressão. Mas, quando a autoestima está em frangalhos, fica difícil enxergar algo de bom — e útil — em si mesma. Ainda mais quando alguém que já te ajudou a recuperar essa autoestima desfaz as impressões e te joga lá embaixo.

Tentando enumerar minhas qualidade quando estou me sentindo um lixo

Portanto, o que me faz sentir um lixo vai além de frustrações, expectativas, palavras, conversas, sinais… tem mais a ver com as recaídas que me acometem e aquela velha sensação de ter que mostrar algo para as pessoas. Como sou interessante, descolada, bem informada, com bom gosto, carismática! Como sou foda e sou reconhecida por aquilo que faço e escrevo!

Para falar sobre “se sentir um lixo”, eu preciso entrar no assunto de relacionamentos, especialmente familiares e pessoais. É aí que dói um pouco mais e uma pequena lágrima brota no canto do olho.

Eu convivo com uma pessoa da família que me agride verbalmente, sem eu saber quando nem como virá essa agressão. Viver assim estressa e infla a frustração — especialmente quando me dou conta de que me distanciar dessa pessoa no atual momento é muito difícil, por questões financeiras.

Quando não dá para disfarçar aquela lágrima que brota no canto do olho

Quando ela quer me jogar para baixo, basta enumerar tudo aquilo que não conquistei por conta própria (a faculdade particular e meu apartamento, onde ela, inclusive, vive). Como se não bastasse, ela menciona todos os ex-namorados que tive ao longo dos anos, para demonstrar meu fracasso no campo “amoroso”.

Isto é, ela só diz o que já sei: que sou um lixo — uma pessoa problemática que precisa fazer terapia com certa frequência e tomar medicamentos para depressão e ansiedade, como se eu tivesse escolhido ser assim e não lutasse para mudar.

Por outro lado, sei que existem pessoas capazes de me convencer do contrário, mas quando as palavras mais duras vêm de alguém que te criou, o corte é mais profundo e dói muito mais. As motivações acabam funcionando como band-aids, quando tudo o que preciso é de alguns pontos para cicatrizar a ferida.

Olhando pelo lado bom…

Por isso, se você se sente um lixo e ainda precisa passar por situações que chateiam, magoam, deprimem e desencadeiam aquela dolorosa ansiedade que parece comprimir os pulmões e o coração dentro da caixa torácica, saiba que não está só.

Somos muitas, cada uma com suas histórias, frustrações e superações. Às vezes, depositamos a pouca confiança que temos nas pessoas erradas e isso nos faz sentir ainda menores diante de um mundo afundado em injustiças.

Não é papo de autoajuda, mas nesses momentos que me faço lembrar daqueles que me ofereceram auxílio sem desejar nada em troca. Porque o dinheiro paga a terapia e os remédios, mas as amizades fui eu quem conquistei.

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