Sobre processos seletivos e expectativas de conseguir emprego

Sou freelancer desde 2014. Portanto, há três anos estou habituada à rotina de home office e trabalhos esporádicos em uns meses e muita coisa para fazer em outros. Ou seja: entra mais dinheiro em um período, mas em outro parece que vai faltar.

Não foi exatamente uma escolha minha ter tomado esse rumo: estava num emprego que me fazia tão mal que decidi me demitir de um dia para o outro, literalmente. Eu tinha uma esperança de que conseguisse um emprego logo e, até lá, me viraria com os freelas que arranjasse.

Ser freela é bom, mas eu gosto mesmo é de dinheiro

Com as dificuldades de arrumar um trabalho fixo, tive que aprimorar meu networking e aprender a me planejar para sobreviver a essa rotina de incertezas, controlando gastos e programando viagens em épocas de pouco trabalho. No fim das contas, consegui. Porém, sempre fiquei naquela de conseguir um emprego que compensasse mais do que essa vida de pagamentos atrasados e trabalhos desvalorizados.

Nesse tempo, enviei muitos currículos e participei de alguns processos seletivos e entrevistas. Sendo uma pessoa ansiosa, sempre ficava naquela esperança de receber um feedback positivo, mesmo que a vaga fosse de trabalho semi-escravo. Afinal, melhor isso do que nada.

O que eu realmente gostaria de dizer numa entrevista de emprego

Recentemente, participei de um processo seletivo que não foi assim cansativo, mas enrolado. Na verdade, eu acho que ainda estou participando dele, porque não me dispensaram e pode ser que ainda precise preencher mais coisa ou voltar na empresa.

O lugar parece ser bacana. Ao menos a empresa é bastante conhecida no ramo. Isso me empolga. Não é CLT, mas quase nenhum lugar hoje em dia é. O jeito é “virar PJ” e aceitar. Pelos menos o dinheiro que vai cair na conta é mais do que tenho tirado com freelas e ainda posso conciliar as duas coisas e aumentar meu rendimento mensal.

Caiu o salário na contaaaaa!

Tudo começou com o envio do currículo. Depois de mais de um mês, fui chamada para uma entrevista. Antes disso, precisei preencher uns arquivos e mandar por email, com dados pessoas e responder perguntas superimportantes, tipo “com quem você mora?” Isso realmente é relevante? Não sei, mas respondi mesmo assim.

Quando cheguei lá para a entrevista, adivinhe? Não era entrevista, mas sim uma etapa do processo seletivo! Fiz um teste de língua portuguesa e inglês. Em seguida, precisei escrever dois textos no computador da empresa e mandar por email. Depois de quase 2h30, fui embora pra casa.

Escrevendo umas redações supimpas pra arranjar emprego

Nem estava com expectativa, mas me ligaram para um entrevista com a diretora do núcleo na mesma tarde. Foi um dia que o metrô estava zoado demais. Cheguei 15 minutos atrasada, mas pelo menos liguei antes avisando. A entrevista foi OK, no final fiquei com a impressão de que tinha conseguido a vaga. Mas avisaram que tinha mais três ou quatro candidatos e que escolheriam na semana seguinte.

Claro que fiquei ansiosa. Na semana seguinte, nenhum feedback. Comecei a desanimar. Até que na outra semana, a moça do RH ligou de novo. Mandou um teste psicológico por email (ME-DO!) e perguntou se eu poderia voltar naquele mesmo dia para conversar com a CEO. Pensei “putaquilparil, mas nem é cargo alto para eu precisar falar com a CEO! Será que eles não confiam nas pessoas que me entrevistaram naquele dia do metrô zoado que demorei quase 3h00 pra chegar em casa?”

Pelo visto não, já que a CEO fez algumas perguntas que já tinham me feito, especulou mais sobre minhas experiências. E ainda tinha uma outra mulher do RH junto. As duas perceberem E comentaram que eu era tímida. Aham, só falta isso me foder, ser tímida! No final, pensei “agora vai”, mas me disseram que iam decidir e avisar em caso positivo ou negativo. Desânimo total ouvir isso.

Testes, textos, entrevistas… o que mais preciso fazer pra provar que sou competente?

Apesar de ser chato e enrolado, dou graçazadeus que não teve dinâmica de grupo. Eu odeio dinâmica de grupo! Nunca consigo me destacar, é um querendo aparecer mais do que o outro, e eu odeio aparecer. Eu não sou apenas tímida, como também introvertida. Detesto fingir que estou superconfortável no meio de um bando de estranhos disputando uma vaga de emprego.

Então ficou assim o processo seletivo completo:

  1. Envio de CV.
  2. Preencher questionário com perguntas pessoais em casa e mandar por email.
  3. Ir na empresa e fazer testes de português e inglês e escrever dois textos e um planejamento.
  4. Entrevista com a diretora.
  5. Preencher teste psicológico em casa, pelo site.
  6. Entrevista com CEO e RH.
Ansiosa, eu? Imagina!

A expectativa é que atrapalha. Eu sou ansiosa, tomei um xanax e ainda não consegui dormir. E são mais de duas da manhã! Socorro!