SENTIMENTOS. MEUS.

Me lembro vagamente do primeiro menino que me ‘apaixonei’. Devia ter uns 09 anos. Tinha uma mochila vermelha de rodinhas. Nunca trocamos um beijo. Mas fotos e cartas, foram várias. Escondi as cartas e a foto no fundo da gaveta. Não lembro o que aconteceu. Mas lembro da sensação, como quando o sol esquenta a manhã fria. Calmo. Silencioso. Um raio morno de luz.

Lembro das minhas festas de aniversário. Casa da avó. Mesa lotada de doces. Sorvete. Origamis que meus primos faziam. Família reunida. Amigos. Era assim, doce e alegre. Barulhento. Risadas. Presentes. Uma sensação de segurança. Aconchego. Um cheiro distante.

Quando meus pais se divorciaram, eu devia ter 10 anos. Passei um bom tempo dormindo na cama da minha mãe e o meu pai na minha. Até que ele saiu de casa. Alugou um apartamento. Fui morar com minha avó. Engraçado, não lembro muito bem da sensação. Mas sentia pena, muita pena. Pena do meu pai. Pena da minha mãe. Pena de mim.

Fecho os olhos. É sensação mais forte que eu lembro. Desembarcando em Londres, sozinha. Primeira viagem internacional. Sozinha. Eu podia sentir que eu não ia ficar só um ano. Vento gelado de novembro. Liberdade. Responsabilidade. Medo. Alegria. Muita felicidade. Meu sorriso era de orelha a orelha. Eu ria com o coração.

Essa saudade é só o que eu tenho. É uma saudadinha que dói mansa. E é tão pouquinho que mal dá pra mim sozinha, moço.

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