A habilidade fundamental dos novos tempos.

Por que conseguimos nos colocar no lugar de determinados personagens de filmes e sofrer, vencer, sorrir ou chorar junto com eles?

Por que uma conversa sobre política deteriora rapidamente para um antagonismo raivoso?

E, por outro lado, como expressar a confortante sensação de aceitação quando alguém nos compreende sem nos julgar?

Tudo isso tem a ver com empatia, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e sentirmos as coisas da forma como ele sente.

“A capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e sentirmos as coisas da forma como ele sente.”

Mas se na teoria a empatia é sobre o outro, a prática revela que a empatia diz muito sobre nós mesmos, sobre a disposição que temos para entender quem somos e também que o outro pode ser completamente diferente de nós.

Empatia, então, é quando a história de uma pessoa se confunde com a história de outra, quando perdemos a noção de onde começa uma e termina a outra.

E por que temos falado tanto de empatia nos últimos tempos?

O mundo globalizado perdeu as fronteiras. Comunicação instantânea, viagens, movimentos migratórios, redes sociais, tudo isso diminuiu a distância física entre as pessoas, mas também aumentou as tensões.

A mesma tecnologia que nos aproxima é aquela que nos afasta. Se ela permite conexões, ela também desumaniza as relações. Esquecemos que por trás da tela existem pessoas. Nos acostumamos a julgar muito rapidamente, sem tentar primeiro entender.

Ao mesmo tempo, porém, em que existem manifestações de intolerância, um outro movimento também é forte. O crescente interesse em empreendedorismo, o engajamento em prol de causas das mais diversas e a mobilização contra injustiças sociais são apenas alguns indícios de uma busca por relações mais humanas e conexões mais profundas, que nos torna cada vez mais interdependentes. Nesse sentido, a empatia torna-se a capacidade fundamental dos novos tempos.

Marcas e empresas também são influenciadas por esse movimento da empatia. Mais do que nunca elas precisam se adaptar. Quebrar a barreira dos interesses políticos, ideológicos e econômicos enraizados por gerações é um passo difícil, mas que vem sendo cada vez mais exigido pela sociedade.

As pessoas estão chamando as marcas a deixar de lado subterfúgios de marketing e se colocar verdadeiramente no lugar de qualquer outro ser humano, independentemente de idade, gênero, sexualidade, cor, etnia, nacionalidade ou religião. Esse movimento vai muito além de uma simples pesquisa de mercado para entender o consumidor ou de uma propaganda que nos faça chorar.

Ela inclui transparência, autenticidade e o compromisso de se trabalhar para um mundo melhor; não apenas para atingir o resultado do próximo trimestre.

Até que isso aconteça efetivamente muitas marcas vão errar e acertar.

"As marcas só serão verdadeiramente empáticas quando deixarem de procurar consumidores para seus produtos e passarem a procurar produtos e soluções sustentáveis para seus consumidores. Soluções estas que se adequem a uma equação mais justa de troca com o ser humano por trás do consumidor."

Empatizar é civilizar. Civilizar é empatizar.

Estamos num momento de transição.

O “eu” está abrindo espaço para o nós, para a importância das relações e da troca.

Quando o preconceito der lugar à curiosidade…

Quando o julgamento der lugar à escuta atenta…

Quando a exclusão der lugar à inclusão…

Quando a falsa perfeição der lugar à vulnerabilidade…

A lógica será subvertida e estaremos finalmente caminhando para um mundo mais empático e melhor para todos.

Esta é a esperança.

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