A Graça da Missão Estudantil

“Todo cristão ou é um missionário ou um impostor” — C. H. Spurgeon

A missão estudantil de pregar o Evangelho nas universidades, também faz parte da grande comissão que nos foi delegada por nosso Senhor Jesus Cristo, e esse é um tema muito rico. Neste artigo vamos tratar de alguns aspectos dela.

De inicio, tomemos a passagem contida em Atos 17:16–31 como exemplo, onde o Ap. Paulo — talvez o maior missionário do Novo Testamento — prega. Esse pelo menos pra mim é um de seus mais brilhantes discursos. Neste episódio ele estava em Atenas, uma cidade tomada pela idolatria, e abarrotada de religiosos e filósofos. Não muito diferente do estado atual de nossa sociedade, onde também está repleta desses personagens. Digo isso, pois uma perspectiva correta do meio que nós vivemos, também ajuda na missão.

Mas, o que quero focar é a maneira ousada com que o Apóstolo apresentou o Evangelho às mentes mais “afiadas” da época. De fato, ele debatia e disputava com eles de igual para igual, sem perder em conhecimento, nem em retórica. É essa a ousadia que falta na cristandade atual, onde parece ter aceitado a falácia ateísta e de que fé é oposta a razão, que por consequência é irracional.

Geralmente, quando entramos no meio acadêmico nossa fé é atacada de todos os lados, tanto no campo intelectual, com alegações do tipo “uma crença é apenas um disfarce para alguma insegurança”, quanto no físico, através das tentações carnais. Muitos apostatam. Mas, não por uma constatação intelectual de que Deus não existe, e sim por uma sucessão de más escolhas morais. Em outras palavras, a maioria dos ateus não tem certeza que Deus não existe, apenas querem que Ele não exista, ou seja, não querem aceitar a verdade de quem um dia estarão diante do tribunal do Deus totalmente Bom, Santo, e Justo. Confrontar tais pessoas é uma tarefa difícil, muitas vezes por acharmos que a mensagem do arrependimento é simples demais para convencê-los.

Por outro lado, existem aqueles que tentam deixar a mensagem mais “intelectual”, ou mais crível para a comunidade acadêmica, e com isso a transformam em esforços filosóficos, reduzindo a “boa nova” a uma ideia complexa que pode facilmente ser rejeitada sem muitas implicações para sua vida. Isso também é um crime. Esquecemos que retórica nenhuma vai convencer mortos a viverem, e que o trabalho é do Espirito Santo, não de nossa argumentação.

Esta última situação — acredito eu — é a que os cristão mais correm risco de cair. Não podemos reduzir o Santo Evangelho a uma mera ideologia de vida, em nome de tornar a mensagem mais “aceitável”. O cristão deve sim fazer uso de todo seu intelecto, retórica, argumentação para expor a mensagem bíblica, pois fomos criados para pensar. Mas, nunca achar que é simples demais, NUNCA!

O Ap. Paulo já nos alertou que a palavra da cruz sempre será “loucura para os que perecem”, ela sempre causará escândalo, contudo, temos que seguir o exemplo dele, e tão somente pregar o cristo crucificado em nossas faculdades, com ousadia e confiança, pois essa mensagem “para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” para salvação de todo aquele que crê.

Pela graça de Deus, essa é uma realidade que vivo em minha faculdade, sou membro da ABUB (Aliança Bíblica Universitária do Brasil), um movimento estudantil missionário evangélico. Nossa convicção é exatamente essa, pregar o Evangelho, puro e simples, assim como nos foi passados pelos apóstolos e pais da igreja. A missão estudantil é uma oportunidade gloriosa que apresenta muitos desafios, mas agradeço muito ao Senhor por fazer parte dela.

Então, fica o recado pra você cristão universitário: pregue o Cristo crucificado, e nada mais.

Marcos Antônio