A Brigada dos Quatro

Escrevi um jogo do fundo do meu coração, e finalmente resolvi “lançá-lo”. A Brigada dos Quatro está disponível para download gratuito e é liberado apenas em formato digital PDF. Claro que, se você quiser, você pode pagar por ele no meu site: www.encho.com.br/a-brigada-dos-quatro-pdf. Eu explico porque comercializo meus jogos dessa forma tão aberta no meu texto “Por quê vendo meus jogos de graça”.

Mas eu quero falar sobre esse jogo e por que abri o texto dizendo que o escrevi do fundo do meu coração. Eu sempre amei fazer jogos pois acredito que através deles posso provocar experiências a outras pessoas. É um pouco do que um artista faz com uma obra de arte mas os jogos possuem um potencial de imersão muito além do que uma imagem, um texto, um som, ou seja lá a mídia que queira comparar. Um mergulho em um ambiente virtual onde a pessoa se despe de seus conceitos e preconceitos para experimentar algo novo, algo curioso… mas é claro que isso só irá acontecer quando eu for extremamente bem sucedido. Num geral as pessoas gostam dos meus jogos, se divertem, mas raras vezes elas deixam de ser elas mesmas para embarcar na jornada que eu proponho.

Eu acho que consegui pela primeira vez me aproximar desse meu objetivo com A Brigada dos Quatro. Quando comecei a escrevê-lo eu tinha o plano de fazer um jogo em que uma pessoa sentisse durante a partida o que era a experiência de viver em um corpo que não representa o que ele desejava para si, ou o que sempre entendeu que o era, enfrentando uma sociedade que lhe determinava o que ele era e o que deveria fazer. Basicamente queria que o jogador se sentisse um transsexual durante a partida e pudesse sentir pelo menos um vislumbre desta experiência. Conversei com alguns amigos, amigas, amigxs, a respeito do que esse jogo precisaria ter e pontuei algumas questões básicas… sexualidade, repressão, aceitação, impotência, entre outras.

Porém durante a produção do jogo, e como sempre mantenho meu trabalho aberto nas redes sociais, chegaram as primeiras críticas (até já esperadas…). “Nossa, eu nunca jogaria um jogo de transsexual. Eu nunca jogaria um jogo de gay”. Eu poderia só ignorar isso, ou passar um tempo discutindo preconceito, mas eu aceitei a crítica. Se as pessoas que eu mais queria que tivessem tais experiências eram justamente as que jamais jogariam meu jogo, qual o ponto de fazê-lo? Para alguém que realmente vive as condições que eu queria emular aquilo que eu estava fazendo na verdade soaria como uma piada, e de muito mal gosto. Eu precisava criar um jogo mais amplo.

Minha decisão foi ir para o campo das alegorias, mascarando aquela mecânica que eu já havia criado com uma história que fosse extremamente tasty. Assisti naquela semana o filme The Breakfast Club, ou em português, o Clube dos Cinco. Esse filme é demais, cinco personagens muito diferentes entre si presos em uma situação absurda em que, aos poucos, eles vão se descobrindo e mostrando como poderiam ser diferentes não fosse a pressão social do meio em que estavam inseridos. Era algo assim que eu precisava, e eu tive que decifrar a mecânica que o John Hughes usou para conectar aqueles personagens.

Eu convido você, amado leitor, a baixar gratuitamente o jogo e ao menos ler o livro. Ele foi escrito já pensando nos leitores mais casuais que não têm mesmo aquela pretensão de jogá-lo… e quem sabe seja tão interessante que o convença. Convido você a não só aproveitá-lo como também a me ajudar a melhorá-lo. Ao contrário das outras vezes em que batia o martelo, agora aproveitarei as vantagens da tecnologia para que meus leitores me ajudem a melhorar o trabalho colaborativamente.

Eu preciso que vocês me ajudem a:
- Revisar o texto.
- Testar o jogo e ver se ele está rodando direitinho.
- Divulgar o jogo.
Esta é a única forma de continuar melhorando este trabalho, e graças ao modelo incrível de Pague se quiser vocês podem ficar tranquilos para sempre retornar e baixar a versão mais atualizada do jogo. Quem sabe eu não consiga reunir grana suficiente para imprimir algumas cópias físicas para vocês como fiz com o PULSE FastPlay?

Baixe e pague se quiser: www.encho.com.br/a-brigada-dos-quatro-pdf