Como “defender pirataria”?

Encho Chagas
Jul 20, 2017 · 2 min read

No rolê do RPG tá voltando a discussão sobre pró-pirataria e anti-pirataria, e sendo a área que mais me interesso talvez seja massa falar um pouco sobre. Ela extrapola muito esse nicho dos RPG, então vamos lá.

Minha maior preocupação é o quão equivocada é a argumentação de quem defende pirataria, por mais bem embasada que seja. Eu perco MUITO tempo tentando descobrir formas de viabilizar projetos a serem distribuídos gratuitamente. Mas isso não significa que eu defenda que quem viva de venda unitária tenha que, na marra, ter seus produtos colocados à disposição.

Acho sim que é uma postura retrógrada “combater pirataria”, acho que é atrasado não oferecer mídia digital acreditando que assim protegerá seu produto. Eu tenho comigo a convicção de que estamos caminhando para um futuro cada vez mais baseado no acesso e não na posse, e por isso não concordo que o modelo de “venda” de qualquer produto cultural vá durar. Eu tenho a certeza disso? Não, só mesmo minha opinião.

A discussão não é nem nunca vai ser sobre “defender pirataria”. É sobre entender como nossa forma de consumo está se modificando e como a pirataria, e suas ferramentas, atendem melhor essa nova demanda. Em prol do maior lucro, infelizmente maior parte do nosso conteúdo cultural está vedado por um mar de legislações ou alto custo de aquisição. Isso afeta o trabalho de todo mundo que vive disso, ferrando principalmente o desenvolvedor menor (e é por isso que não entendo muito bem quando essa galera engrossa o caldo da discussão legalista).

Então se você, como eu, está do lado dos que defendem que precisamos reinventar a forma como comercializamos e distribuímos conteúdo digital, pare de querer forçar seus ídolos a oferecerem seu trampo de graça contra a própria vontade. Pirateie, se essa é a melhor forma que você tem pra consumir os produtos. Valorize o trampo, se você achar que deve e da forma que puder. Mas num entra nessa de ir na página das empresas discursando estilo “libertador dos escravos” diferentão… Quem você mais atrapalha é justamente quem tá seriamente estudando e tentando discutir acessibilidade de verdade, e como tornar isso viável no futuro. Pra TODO mundo.

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