
A Luz do Dia
O tempo sob um novo olhar
Tempo: maneiras de contar.
O tempo como ponto de partida.
O conhecimento que não se percebe: o tempo.
“Eu vejo daqui a claridade que reflete ali de fora”, reflexões sobre o tempo.
Todos queremos saber onde e quando estamos posicionados. Como saber em que momento estamos sem um relógio, ou aparelho que nos indique hora, por perto? Como saber quando estamos posicionados no tempo sem sair do lugar? A luz do sol nos indica o momento exato. Seja em seu pico ao meio-dia ou em seu declínio às seis da tarde. Porém, temos outra questão: Como saber quando estamos posicionados no tempo em um pequeno lugar onde não entra a luz do sol? Os físicos se esforçaram para explicar o tempo e o espaço; os linguistas se esmeraram para lhe dar sentido, no entanto, vejamos de uma nova perspectiva, infelizmente desvalorizada, de como explicar e dar sentido ao tempo.
Entro com uma amiga no elevador, depois de outras pessoas.
- Bom d… boa tarde. — Eu digo, em dúvida. — É boa tarde? Nem sei.
- Boa tarde, sim. — O ascensorista responde.
- Ah, eu nem sei mais a hora. — Rio e ele acompanha com esportividade:
- Foi a feijoada que deixou vocês assim. (Era dia de feijoada no almoço)
Eu rio, e digo:
- Pior que eu nem almocei, eu nem saí do onze (11° andar), cheguei sete horas e fiquei direto, só to saindo agora.
- Ah, eu sei como é, também fico aqui direto. Eu sei quando tá escuro quando o elevador para no primeiro andar e eu consigo ver se ainda tem claridade ou não.
- Caramba, e vocês ficam aqui direto?
- Sim, às vezes nem tem como dar pausa, só uns quinze minutos pra ir no banheiro e já tem que voltar. Quando não tem gente ainda dá pra parar um pouco, mas é direto mesmo.
O elevador para no primeiro. E ele mostra.
- Aí, ó… — Aponta, sem sair da cadeira. — Eu vejo daqui a claridade que reflete ali de fora. Só assim que eu tenho noção do dia.
- Aaah… — Observo, tentando visualizar.
Tentamos trocar mais algumas palavras, mas enquanto eu saio do elevador, logo outras pessoas entram.
E é em meio ao caos das pessoas ansiosas para subir que deixamos o elevador para trás e seguimos nosso caminho.
Quando falamos sobre ciência nos ensaios anteriores, nos referimos justamente a esse conhecimento que se aperfeiçoa no dia a dia de determinado trabalho, mas que não é reconhecido; ou melhor, do qual não se toma consciência de que está sendo feito. Para além de um restrito subir e descer no elevador, dentro daquele ínfimo espaço, circula uma ciência que permite que tudo corra bem. E é esse cientista que pretendemos conhecer melhor.
