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Considerado como um recurso com meios para atingir poder sobre regiões, o gás natural da Rússia representa em números:

  • 39 milhões de lares europeus dependem do gás russo.
  • 61,8 bilhões de dólares é quanto a Rússia fatura por ano vendendo esse gás.
  • 775% foi o aumento no preço do gás imposto pelo governo russo à Ucrânia.
  • 38 mil quilômetros é o comprimento total dos gasodutos ucranianos.

E desse modo busca um mercado estável com a UE, não limitando seu alcance nem domínio, porém, já conhecendo a relação não muito amigável que alimenta com a Ucrânia, a Rússia depende da mesma para distribuir seu gás, devido aos gasodutos que se encontram em território ucraniano. Mesmo que uma parte da Ucrânia apoie a Rússia, uma outra parte apoia a EU e lutam para saírem do foco de influência russo. Em 2014, o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich, considera aliado à Rússia, ou ao governo desta, se recusou a assinar um acordo de livre comércio com a União Europeia, devido a isso, o povo saiu às ruas descontentes com a decisão tomada pelo presidente, que foi destituído do cargo em seguida.

Após esse acontecimento a Rússia ocupa a Criméia, porém o Ocidente, UE e EUA, reage à situação, não deixando de citar também o interesse dos EUA na Ucrânia, pois em 2008, os EUA descobriram em seu território enormes reservas de gás de xisto, e passaram a ter a maior reserva mundial de gás, colocando a Rússia em segundo lugar. E isso mudou o jogo. Agora, os EUA querem exportar gás para a Europa. Mas, para fazer isso, eles têm de minar a Rússia. Como? Controlando o corredor que fornece gás à Europa. No caso, a Ucrânia.

Assim, há quem diga que está acontecendo uma nova Guerra Fria, e a Rússia tenta se firmar utilizando de uma possível dependência da UE de seu gás, utilizando do contexto certo, e com habilidades tanto de poder brando, quanto de poder duro, figurando agora na lista dos países que melhor usam poder brando/soft power. Ocupa a 27° posição, um grande avanço, sendo que em 2015 nem mesmo apareceu na lista. A categoria individual em que a Rússia ocupa melhor posição no ranking é a de “engajamento” (8º), o que denota diplomacia e influência na arena internacional. Isso porque, segundo os autores do estudo, Moscou e Washington têm exercido um papel-chave nos esforços para alcançar uma solução pacífica na Síria.

O poder pode ser diferente dependendo da época, pode ser que algo que antes determinava certa influência, atualmente já não o seja. Então cabe a análise sobre a atual situação de controle da Rússia. Em alguns anos, o seu gás natural já não será tão exclusivo e requisitado, os EUA já irão ter atravessado o oceano e roubado seu fortíssimo mercado consumidor, mas é esperado que isso demore um certo tempo, cabe à Rússia obter certo vantagem sobre este contexto.

Após certo desentendimento entre a Rússia e a Turquia a construção do gasoduto que ligaria as duas nações havia sido interrompida, porém o presidente turco pediu desculpas à Rússia, e agora segue as relações para dar continuidade ao projeto do gasoduto Corrente Turca. Porém essa retomada dos negócios e da aliança das duas nações ameaça o Ocidente, o presidente da Turquia havia sofrido uma tentativa de golpe, e toma-se esse fato de que os conspiradores tenham algo a ver com o Ocidente, e ao tratar um novo acordo com a Rússia, Erdogan espera que com essa aliança um Estado curdo não surja nem ganhe força e em troca, a Turquia exportará o gás russo. E nessa situação, o Ocidente perde grande representatividade geopolítica.

Na tentativa de driblar o poder e influencia que a UE e os EUA exercem sobre o Leste Europeu e Ásia, a Rússia busca uma aliança com alguns estados pós-sovético para a criação da União Eurasiática, já tentando expandir para outros países. De acordo com o Jornal Voz da Rússia, “O Ocidente nunca encarou com bons olhos a ideia de criação da União Eurasiática”. Os políticos norte-americanos e europeus têm apontado para as tentativas de Vladimir Putin de “reabilitar a URSS”. A antiga secretária de Estado Hillary Clinton até prometeu frustrar esses planos. E agora, com as eleições nos EUA acontecendo, pode ser que a União Eurasiática esteja sendo alvo de futuras políticas ocidentais.

Ainda sim, essas alianças são o meio mais forte de juntar nações que sozinhas não têm tanta representatividade quanto deveriam. A única chance da Rússia continuar a ser um sujeito da história é a construção de uma aliança estratégica de longo prazo com as grandes potências Eurasianas, que possuem forte potencial demográfico, econômico, militar e cultural.

REFERÊNCIAS

Super Interessante. (Maio de 2014). A verdade sobre a Ucrânia. Acesso em 27 de Julho de 2016, disponível em Super Interessante: http://super.abril.com.br/comportamento/a-verdade-sobre-a-ucrania

G1. Entenda a crise na Ucrânia. Disponível em: http://glo.bo/1dq6fVr . Acesso em: 05 Agosto 2015.

Super Interessante. (Maio de 2014). A verdade sobre a Ucrânia. Acesso em 27 de Julho de 2016, disponível em Super Interessante: http://super.abril.com.br/comportamento/a-verdade-sobre-a-ucrania

Gazeta Russa, Rússia entra para o top 30 das potências de soft power. Disponível em: http://gazetarussa.com.br/politica/2016/06/15/russia-entra-para-o-top-30-das-potencias-de-soft-power_603205. Acesso em: 27 Julho 2016

Pitaliov, S. I. (26 de Julho de 2016). Gazprom se prepara para reiniciar gasoduto Corrente Turca. Acesso em 05 de Agosto de 2016, disponível em Sputnik Brasil: Gazprom se prepara para reiniciar gasoduto Corrente Turca

ALTAN, A. 2. (22 de Julho de 2016). Mídia: aproximação entre Rússia e Turquia ameaça Ocidente. Acesso em 05 de Agosto de 2016, disponível em Sputnik Brasil: http://sptnkne.ws/bRzv

Reis, T. N. (2015). A Geopolítica da Rússia: Uma análise através da geopolítica clássica e do choque de civilizações. Brasília.

DUGIN, Alexandr. Putin vs Putin: Vladimir Putin Viewed from the Right. Arkatos. 2014. p. 71.

Vanessa Justino
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