Análise dos Gasodutos

Partindo de uma estratégia eficaz para a política energética, o projeto Nabucco surgiu de uma discussão após a crise russo-ucraniana em 2009 e tem como objetivo criar uma rede de gasodutos que permita a União Europeia importar gás natural do Cáucaso e da Ásia Central, sem utilizar os gasodutos da Rússia e sem passar pelo o território russo. O Nabucco tem início na fronteira da Turquia com a Geórgia e Iraque, terá ligação com a rede de gasodutos South Caucasus Pipeline165, continuará na Ásia Central e terminará na Áustria, a partir de onde fará ligação com os outros gasodutos.

Nesse sentido, o projeto Nabucco representa uma alternativa europeia de diversificação no abastecimento de gás natural. Da mesma forma, o projeto é uma oportunidade para a União Europeia desenvolver uma política energética comum, sólida e apoiada pela generalidade dos seus Estados-membros. Nesse ínterim, o Nabucco ameaça a vulnerabilidade da Rússia na relação com o bloco europeu, diminuindo, assim, o poder russo energético sobre a UE.

Em uma segunda instância, os gasodutos do Nabucco, no aspecto alternativo da Europa em busca de novos fornecedores de gás, para além da Rússia e da Ásia Central, tais como o Oriente Médio e o Norte da África, regiões que representam 15% do gás importado pela Europa via gasodutos, podem ser comprometidos devido a atual conjuntura de instabilidade político-social do Oriente Médio e do norte do continente africano. Não só os gasodutos do Nabucco possuem essa problemática, como esbarram na inexistência política externa energética da UE e, também, enfrentam a divergência dos Estados-membros do bloco europeu, cuja Alemanha e a Itália colocam-se ao lado da Rússia, atribuindo pouca importância à prática política de diversificação europeia.

Contrapondo-se ao projeto Nabucco do bloco europeu, a Rússia desenvolveu outro projeto de gasodutos, denominado South Stream, em parceria com a Itália. Deu-se início ao projeto em 2012, com o objetivo de ligar a Rússia à Europa via Mar Negro, que, como o Nabucco, conduz o gás natural de regiões do Cáucaso e da Ásia Central até o continente europeu, porém, o South Stream segue uma rota offshore. A rota dos gasodutos visam passar por territórios da Bulgária, Sérvia, Hungria, Áustria, com o destino final na Itália. O projeto russo-italiano é protagonizado pela empresa russa Gazprom e pela companhia italiana Eni.

Assim como a Alemanha, a Itália possui fortes laços econômicos com a Rússia e considera a Gazprom um fornecedor viável e não vê razões econômicas para financiar o projeto Nabucco da União Europeia, visto que os gasodutos do projeto europeu não caminham sob o território italiano, assim, não corresponde ao interesse da companhia Eni.

Como um dos principais objetivos, o South Stream proporciona à Rússia uma vastidão de territórios para a passagem de seu gás, evitando o transporte do mesmo pelo Leste da Europa, optando, por assim, um transporte offshore. Logo, o Estado russo diminui sua vulnerabilidade e aumenta suas vantagens em sua relação energética com a União Europeia, devido ao desvio e à independência do aval dos países do Leste Europeu da condução de seu gás natural e da construção de seus gasodutos com destino ao continente da Europa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SPUTNIK NEWS BRASIL. Disponível em: <http://br.sputniknews.com/mundo/20160229/3700667/gasoduto-Russia-Europa.html>. Acesso em: 10 de Agosto 2016

EU OBSERVER. Disponível em: <https://euobserver.com/opinion/133299>. Acesso em: 10 de Agosto de 2016

FRADE, Carmen Verónica do Sacramento Mendes. A Política Energética da União Europeia: Segurança e Cooperação. 2013. 106 f. Dissertação (Mestrado) — Curso de Relações Internacionais, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2013

Rodolfo Sverzut

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