A rua que parece a Lua

Texto DIOVANA DORNELES / Foto KARINE DALLA VALLE

Trefegar pela rua Capitão Armindo Bier é tarefa complicada para moradores do Vicentina. A via de paralelepípedo está com uma série de grandes buracos, que mais parecem crateras da Lua.

Em vários pontos da rua é possível perceber a presença de buracos, mas especialmente no encontro com a Alberto Linck é que a situação acaba ficando mais crítica. Os desníveis obrigam os motoristas a dirigir em zigue-zague, muitas vezes quase batendo em pessoas que transitam próximo ao meio fio.

Para a aposentada Edite Lucas de Aguiar, 72 anos, e moradora do Vicentina há 13, a grande preocupação são as crianças que transitam no local e que muitas vezes estão perto da rua. “As crianças ficam na beirinha, é perigoso um motorista que vai desviar do buraco, acabar pegando alguém”, disse.

Os moradores da região já presenciaram acidentes ocasionados pelos desgastes da pavimentação e algumas pessoas acabam sendo vítimas. É o caso da comerciante Andrelisa dos Santos, 35 anos, que teve prejuízo com o carro que utiliza no trabalho. O veículo estava estacionado em frente à sua agropecuária e acabou sendo atingido por outro automóvel no momento em que o condutor tentou desviar de um dos buracos da Capitão Armindo Bier. “A situação aqui é bem complicada. Quando bateram no meu carro, tive que arcar com os prejuízos, pois o outro condutor se negou a pagar”, afirma Andrelisa.

Além dos acidentes constantes, os buracos também causam estragos aos carros. Antônio da Silva, 44 anos, é mecânico no Vicentina. Segundo ele, semanalmente recebe em sua oficina mais de cinco carros que foram danificados ao passar pela rua. “Geralmente recebo carros com a suspensão estragada, com pneus furados e aros quebrados, tudo por causa dos buracos aqui da rua”, explica o mecânico.

O comerciante Silvan Franga, 53 anos, relembra que antigamente a rua era de chão batido. Apreensivo com as proporções das crateras da via, ele e outros moradores tentaram, em vão, preencher os espaços com cimento, pois sempre após fortes chuvas, novos buracos aparecem.

Tentando encontrar uma solução, Silvan chegou a ir até a Câmara de Vereadores e conversou com um parlamentar, que por sua vez protocolou um pedido solicitando o fim dos buracos da rua. O comerciante afirma que já se passaram 90 dias e nenhuma ação foi realizada para acabar com o problema.

Além disso, os moradores do local acreditam que o intenso fluxo de veículos de grande porte, como caminhões e ônibus acabam agravando ainda mais a situação.