Atrás de um sonho

Moradoras do bairro que conquistaram um diploma comentam sobre a experiência do ensino superior

Texto THIAGO SANTOS / Foto CAROLINA TEIXEIRA LIMA

Jaqueline Guedes estava com quase 30 anos quando decidiu trabalhar com educação. Cursou Magistério, mas logo percebeu a necessidade de formação superior. Tentou a faculdade presencial, porém as despesas eram altas e em pouco tempo teve de abandonar as aulas. Então ficou sabendo do curso de Pedagogia na modalidade de estudos a distância, e em 2012 a moradora do bairro Vicentina, em São Leopoldo, se formava no curso universitário. A jovem faz parte de um grupo que em 2011, segundo dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) representava 11% da população do país:os brasileiros com diploma universitário.

Na comunidade do Vicentina esse grupo tem outros membros, como Amanda Dalmoilinr, 26 anos, que trocou a faculdade de Enfermagem por Nutrição. Hoje, quase três anos depois de concluir o curso, Amanda conta sobre os benefícios desse tipo de ensino: “O nível cultural das pessoas que moram aqui muda ao cursar a faculdade. O curso vai somando no nosso aprendizado”, explica.

Já a professora do ensino fundamental Raquel Camboim, 41 anos, que mora e trabalha no Vicentina, foi além da formação superior. Com pós-graduação em Ludo Pedagogia, área voltada a recreadores, educadores e coordenadores pedagógicos, ela comenta suas motivações pelo ensino superior: “Ao me formar em Magistério quis enriquecer meu trabalho para conseguir transmitir algo melhor às crianças. O ensino superior trouxe conhecimentos para que eu pudesse passar à comunidade”, avalia.

Há ainda quem esteja realizando a formação superior, como a estudante de Pedagogia da Unisinos, Larissa da Silveira de 18 anos. Trabalhando atualmente na área de educação infantil, ela comenta sobre o processo: “No início do ano comecei a faculdade presencial, mas acabei mudando para a modalidade à distância, porque era mais em conta”, disse.

Um dado do Censo da Educação Superior, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), confirma a tendência das nossas entrevistadas. A faculdade de Pedagogia foi a formação com maior numero de mulheres inscritas nas universidades do Brasil em 2013, com mais de 568 mil matriculas.

Além disso, a maioria dos moradores do Vicentina, encontrados para tratar do tema entre universitários e graduados formados, eram mulheres. Um fato reforçado pelo Inep, que apresenta uma taxa de 55,5% de pessoas do sexo feminino matriculadas no ensino superior, números que aumentam no fim do processo de graduação, com uma taxa de 59,2% de mulheres concluintes no total de formandos desse nível de ensino em 2013.

Ainda Jaqueline, que durante o curso universitário trabalhou na ONG Medianeira, localizada dentro do Parque do Trabalhador, a formação é uma forma de auxiliar as crianças da comunidade. “Cresci muito com o estudo, apesar de a teoria ser diferente da prática. Ele me ensinou como trabalhar com questões de vulnerabilidade infantil, crianças com deficit de atenção e os pequenos com necessidades especiais”, destaca.

Mesmo já tendo concluído a formação superior, a pedagoga não pensa em parar de estudar. No final do ano pretende realizar as provas do Enem com o objetivo de conseguir uma bolsa para o curso de Assistente Social. “Meu sonho é trabalhar em uma ONG como assistente social, orientar os país no cuidado com os filhos e auxiliar as crianças aqui da comunidade”, conclui.

Like what you read? Give Enfoque Vicentina a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.