Cultivar o bem

Texto BÁRBARA MÜLLER / Foto THACIANE DE MOURA

Vivemos em um país marcado pela diversidade cultural e religiosa. O Rio de Janeiro é a cidade maravilhosa. São Paulo é a terra da garoa, e abriga todos os povos. A Bahia é de todos os santos. E no Rio Grande do Sul, onde tudo o que se planta cresce e o que mais floresce é o amor, está o bairro Vicentina, de São Leopoldo, que, assim como o estado baiano, também abriga uma variedade de crenças.

Uma delas é a religião Umbanda, que — de caráter pluralista — é ocasionada através da união da cultura indígena e africana, e de elementos de outras religiões, como o catolicismo e espiritismo. Sua origem vem das senzalas, em reuniões onde os escravos vindos da África louvavam seus deuses através de cânticos e danças. Prega a paz e o respeito à natureza, Deus e ao ser humano. Compreende a diversidade e valoriza as diferenças, tendo como principal lema “dar de graça o que de graça receber com amor, humildade, caridade e fé”.

Gislaine Maria Flores de Moraes tem 55 anos e reside no bairro desde os seis. Para ela, a religião “é um dom que vem com a gente. Podemos ser filhos de religiosos e não necessariamente seguir aquilo que os pais creem”. Sua crença é na Umbanda, que antigamente era conhecida como a Umbanda Branca, cujo o foco é o benefício ao próximo, não existindo cobrança financeira, ou de qualquer outro tipo. “Existem muitas casas que cobram alguma coisa de quem a frequenta”, explica a religiosa que tem como profissão o artesanato.

Não há placas em frente à casa de Gislaine que indiquem os atendimentos prestados a pessoas que necessitem de ajuda espiritual. Pelo contrário, flores e objetos artesanais decoram e colorem o local, tornando a entrada da residência simpática aos olhos daqueles que por ali passam. “Eu trabalho para a caridade, as benzeduras, o tratamento de dependente químico.Também fazemos festas, enchemos a casa com todos os tipos de pessoas”, comenta.

Seu dom aflorou aos sete anos. “Por ser de uma família de Umbandistas, meu pai dizia que me via brincando, conversando sozinha (aparentemente) e ali ele viu a mediunidade em mim. Fui entendida por eles e recebi todo atendimento para seguir evoluindo. É algo que nasce com a gente, alguns espíritos vêm ao mundo já evoluídos, outros não”, esclarece.

Os fundamentos pregados pela líder, que hoje é mãe de santo, são baseados na utilização de ervas e na preservação da natureza. “Usamos a natureza, mas sem agredi-la. Trabalhamos com a energia do Sol, da Lua, da terra e da água”, conta.

CRENÇAS DISTINTAS E UM PRECONCEITO EM COMUM

Muitas vezes confundidas, o Candomblé e a Umbanda são crenças bem diferentes, tanto teologicamente quanto filosoficamente. Os candomblecistas são favoráveis ao credo africano que cultua, sem influências de outras culturas, os orixás. No entanto, tanto a Umbanda quanto o Candomblé possuem algo em comum: o olhar preconceituoso daqueles que não conhecem bem os fundamentos de cada uma.

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