Estrelando: a Vicentina

Texto e Foto THACIANE DE MOURA

Vicentina Maria Fidélis. O nome de rua é, na verdade, da fundadora do bairro. Seu marido, Abílio, foi o primeiro dono das terras que hoje compreendem o espaço da Rua do Carioca à Avenida João Correia. Abílio e Vicentina vieram de Glorinha para iniciarem o bairro que hoje leva, em várias ruas, seu sobrenome.

O casal teve cinco filhos. Os dois homens, Abílio e Orlando, foram os responsáveis de levar à Prefeitura de São Leopoldo a solicitação de loteamento da área. Eles compraram parte dos terrenos das irmãs e pouco tempo depois, as primeiras ruas foram abertas. Se encarregaram, também, de homenagear a mãe, dando o nome de Vicentina ao bairro.

De acordo com Rita Amorim Fidelis, viúva de Orlando, a primeira forma de sustento da família foi um tambo de leite. Depois, fecharam o estabelecimento e iniciaram uma olaria. Com o barro tirado das margens do rio, faziam tijolos. Tijolos, inclusive, que usaram para construir sua casa e a igreja da Paróquia Nossa Senhora Medianeira. Ela descreve a época: “Tinham funcionários que trabalhavam com a gente. Eles iam até o rio e traziam tudo com tratores pra depois fazerem os tijolos”.

Rita, que tem 82 anos, relembra da época sem se preocupar com a exatidão das datas. Ela explica que, no início, foi erguida apenas uma capela de madeira. Parte do terreno foi doada por eles e o restante pela família Gomes, que também detinha um lote no local. Com o dinheiro arrecadado em festas que ela e seus familiares promoviam, levantaram a igreja atual. Desde então, trabalham como voluntários no local.

A primeira casa do casal fundador do bairro ficava onde hoje é a empresa de ferramentas Gedore. Depois que o terreno foi vendido, eles se mudaram para onde, atualmente é a casa de Rita. Depois que os sogros faleceram, Rita e o marido passaram a viver ali. É dessa casa, aliás, que Juliana Fidelis, uma das bisnetas de Vicentina e Abílio, diz ter suas lembranças da infância.

Segundo ela, a união da família ficava evidente nas reuniões feitas aos fins de semana. Ela estima que hoje haja entre 50 e 70 pessoas com o nome vivendo no Vicentina. Rita reforça a ideia ao contar que quase todos os Fidelis (ou Fidélis, com acento, pois a grafia varia) vivem em ruas próximas. Isso porque, antigamente, eles ocupavam um mesmo lote de terras que depois foram desmembradas.

Rita lembra também que havia apenas uma rua que ligava o bairro no início do loteamento. Na década de 1940, quando ela chegou ao bairro, tudo era um campo. A parte mais próxima do rio, entretanto, era um banhado e, até hoje, ainda tem problemas de alagamento. Contudo, como moram em um local mais alto, não sofrem mais com isso desde a construção do dique.

Atualmente, há três logradouros que levam o sobrenome da família. Além da rua Vicentina Maria Fidélis, existem as ruas Abílio Fidélis e Almerinda Gentila Fidélis. Almerinda foi a segunda mulher de Abílio e também teve filhos com ele. Rita menciona que todos se conhecem e que sua família é sempre lembrada com carinho, mesmo que o bairro tenha mudado bastante. Hoje, bem mais populoso e maior em território, ainda mantém laços adquiridos no início de sua existência. Uma herança da Vicentina para o Vicentina.