“Metamorfose Ambulante”
Não sou fã de Raul Seixas, para ser sincero eu só conheço uma música dele e é essa que leva o título da minha história hoje.
Eu nunca fui uma pessoa de certezas, para mim tudo sempre foi relativo e minhas opiniões sempre cambiantes — em relação a tudo, inclusive, aliás, principalmente, a mim mesmo.
Eu nunca soube do que eu realmente gostava ou o que é que realmente me incomodava, e por muito tempo isso foi um problema (ainda é, na verdade), pois afetava diretamente minha habilidade de escolher o quer que fosse — desde qual camiseta comprar numa loja de roupas, até que faculdade cursar — , e isso também fazia com que me sentisse mal comigo mesmo, pois sempre me sentia perdido e era, (aliás, sou, penso eu), visto como alguém sem muita personalidade.
A raiz disso provém, principalmente, de problemas psicológicos — coisa que só vim a descobrir esse ano e que, ainda, não fui capaz de tratar — , mas também do fato de vivermos num mundo tão tecnológico, tão conectado, e com tanta informação sendo descoberta e apresentada a todo momento, que torna difícil, diante de tantas possibilidades, escolher qualquer coisa.
E apesar do lado negativo disso tudo, eu aprendi a enxergar o lado positivo que isso traz, que é a flexibilidade que isso me dá e a curiosidade para continuar buscando quem eu sou, quem eu quero ser e em qual verdade acreditar.
Eu já não sou mais a mesma pessoa que era na semana passada, por exemplo — e não digo isso de forma figurativa, digo isso de forma literal, minha opinião sobre a monogamia, por exemplo, mudou completamente nesses últimos dias.
Antes, eu gostava de passar horas em redes sociais vendo fotos e vídeos de digital influencers e seus ostensivos estilos de vida, passava horas vendo vídeos sobre suas viagens e mudanças para apartamentos cada vez maiores e luxuosos, e achava tudo isso muito fascinante. Hoje em dia já não suporto essa onda de influencers, nem sequer entro mais em redes sociais
Ano passado, gostava muito de ir a festas, hoje em dia detesto, prefiro ficar em casa e ver um documentário — aliás, eu costumava odiar documentários.
Meses atrás, estava viciado em astronomia, comprei um livro, assistia vídeos e lia artigos sobre tudo relacionado ao tema, hoje em dia nem abro o livro mais…
Ainda não tenho muito claro quem sou, ou do que gosto, ou no que acredito, mas estou feliz com quem estou sendo e aproveitando o caminho de descobertas, tentando manter uma mente curiosa e tratando de identificar, sobretudo, quem eu não quero ser e o que eu não gosto.
