A não-lista de ideias

São quase 3 da manhã quando eu começo a escrever. Essa é mais uma noite em que a insônia me pegou e, embora eu esteja exausta e morrendo sono, não consigo relaxar pra dormir.

E aí, a história que segue é quase sempre a mesma: “o que eu fiz hoje pra não dormir?”, “droga, eu bebi café”, “acho que meu coração tá disparado”, “meu peito tá doendo”, “vou morrer”… “QUE MERDA! Produzi mais uma crise de pânico!”

É engraçado como, mesmo depois de aprender o que é a crise, de onde ela vem, como combatê-la [hoje no Globo Repórter], nunca consegui confiar completamente que as reações físicas não vão me matar. Sou jovem, pratico exercícios e, até onde sei, meu coração é bom e meus pulmões são lindos (ou o mais próximo disso que viver na capital e ter crescido na cidade radioativa permitem).

O pânico é perverso comigo. Ele me exige grande autoconfiança para respirar, fazer o caminho inverso dos meus pensamentos negativos que me trouxeram até aqui, desconstruí-los e criar novos que me permitam perceber que não, eu não preciso ligar o modo “fuga”.

Só que eu sou medrosa, cautelosa, meio hipocondríaca (a loucura vem em combos promocionais). Eu não aceito facilmente a ideia de que “tá tudo bem; vai passar logo; você consegue respirar; seu coração não vai parar, nem explodir.” Ahhhhhh vá.

Infelizmente a mente é muito boa em criar, o corpo muito bom em entender. É muito real; real demais pra “racionalidade” ignorar. Eu tenho que confiar demais pra dar conta de quebrar o ciclo, inverter o fluxo (pelo menos da maior parte) e me aquietar um pouco em mim.

Aí, eu venho escrever textos como esse, que, na verdade, era pra ser uma lista de “ideias para se fazer sozinha numa noite insone”. Afinal, eu não estaria aqui se a listas “X coisas para combater a insônia” tivessem funcionado. Da próxima vez, faça o favor, Google.

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