Da utilização de elevadores espaciais e anéis orbitais: Uma tradução de um post da Trippy Trilby’s Futurism Page

Créditos na imagem

Atualmente a nossa maior necessidade é criar um método de levar as pessoas ao espaço da forma mais barata e fácil possível para que possamos dispersar a humanidade pelo espaço e minimizar os riscos de nossa autodestruição. Sabemos que a melhor opção é um anel orbital dinâmico que rodeia todo o planeta. Essa estrutura será revestida com painéis solares para mantê-la (e o planeta abaixo) fornecida com energia, além de possuir trilhos de levitação magnética para transportar carga ou cápsulas tripuladas e atirando-os ao espaço, estações de serviço tripuladas e não-tripuladas em intervalos regulares e, o mais importante, pelo menos uma dúzia de elevadores espaciais de cem quilômetros de comprimento feitos de kevlar e/ou zylon, materiais relativamente mundanos.

Contudo, para fazer o anel orbital será necessário muito material, muito mais do que a soma total de toda a massa que já lançamos em órbita. Não apenas isso, mas a tecnologia dinâmica de suporte/fluxo de matéria do próprio anel orbital ainda precisa ser praticamente demonstrada e refinada em grande escala. Precisamos de uma fonte de material de construção, e mais importante, precisamos de um local para construir um protótipo que não sofra instantaneamente a Síndrome de Kessler* na LEO (Baixa órbita terrestre) no caso de um mau funcionamento catastrófico.

Olhando para o céu noturno, a solução é óbvia.
A boa notícia sobre a Lua é que tudo de valor que podemos encontrar nos asteroides quando se fala sobre mineração pode ser encontrado lá, é MUITO mais próxima do que qualquer um desses asteroides, tem mais material do que todo o cinturão de asteroides combinado, e as coisas podem ser enviadas da Lua para a órbita da Terra de forma muito mais barata do que materiais podem ser enviados para fora da superfície da Terra para qualquer lugar que seja.
A Lua, além de desempenhar um papel valioso como o dínamo gravitacional da Terra, é um vasto depósito de materiais de construção brutos e elementos de sustentação da vida, tudo embrulhado sob uma camada de combustível de fusão (He3) gentilmente deixada para nós pelos ventos solares.

Se o seu objetivo é tornar a humanidade uma espécie multiplanetária, ir direto para Marte lhe dá uma vitória técnica sem substância real, industrialize a Lua primeiro.
A Lua oferece muito mais lucro para a Terra do que Marte.
Podemos coletar o material necessário para construir um anel orbital, que pode ser usado para fornecer energia elétrica para o mundo com vastos painéis de energia solar, e pode tornar a carga útil de lançamento tão barata que as famílias da classe trabalhadora possam ter férias no espaço. Nosso protótipo de anel orbital será construído ao redor da Lua antes de construirmos o tamanho total ao redor da Terra.

Lasers gigantes estabelecidos na Lua serão usados para limpar detritos espaciais gerados no processo de construção, e sem ter que lidar com problemas atmosféricos, os lasers baseados na Lua também podem ajudar a limpar detritos ao redor da Terra. O gelo extraído da Lua fornecerá à população espacial água, ar e combustível de foguete. Se não tivermos fusão de He3, então poderemos extrair o tório da Lua para utilizar na fissão nuclear para suplementar a energia solar, a qual podemos esperar ser muito mais eficiente no espaço, já que o Sol está sempre brilhando e não há atmosfera no caminho.

Criando nossas primeiras colônias na Lua e acima dela, e usando a indústria lunar para criar a infra-estrutura para vôos espaciais regulares e baratos, podemos tirar as pessoas da Terra para o espaço mais rapidamente, e podemos colonizar os outros planetas mais rápido logo que não precisaremos lançar naves-colônia a partir da Terra. Ao construir naves-colônia e todos os equipamentos necessários na Lua, os colonos poderão partir da Terra com pouco mais do que seus trajes espaciais e alguns objetos pessoais e poderão embarcar em navios destinados a sua escolha de Vênus, Marte, Ceres ou possivelmente além. A colonização simultânea de corpos celestes será viabilizada por ter uma população na Lua que possa enviar suprimentos para colonos encalhados, e que possa testar técnicas de colonização extraterrestre em um lugar onde a distância de uma missão de resgate seja de meros dias e não meses ou anos.

Embora este plano seja simples, também é grande.
Criar um anel orbital ao redor da Terra exigiria cooperação internacional em uma escala sem precedentes. A criação de uma Agência Espacial Internacional que possa orientar os esforços conjuntos de agências nacionais e privadas para colonizar permanentemente o espaço, em vez de meramente comercializá-lo. Os satélites de energia solar amarrados à Terra a partir do nosso anel orbital significarão uma rede elétrica global que alguém tem que gerenciar (sem o potencial de armamento representado pela transmissão de energia solar sem fio). E a criação de colônias espaciais de maneira coesa e sustentável exigirá algum tipo de terreno comum para que vários grupos etno-culturais e ideológicos possam concordar em discordar e trabalhar juntos para se espalhar pelo sistema solar, garantindo que identidades coletivas únicas não sejam apenas preservadas, mas subdivididas e dispersas. Ao reduzir a proximidade de diferentes grupos, o risco de conflito pode ser reduzido e, tornando-os menores e mais numerosos, livres para buscar homogeneidade ou heterogeneidade, bio-conservadorismo ou trans-humanismo, o número de caminhos evolutivos para a humanidade pode ser maximizado, garantindo a sobrevivência a longo prazo.

Como eu disse, é um grande plano, então duvido que as pessoas o aceitem naturalmente. Na verdade, acho que precisaremos de algum gênio maluco com uma máquina do Juízo Final ou um hiper-culto com agentes infiltrados nos níveis mais altos de cada governo nacional para conseguir isso. No mínimo, imagino que nada menos que uma troca nuclear limitada inspirará as pessoas a ver a sabedoria desse plano (deixando infra-estrutura suficiente intacta para implementar o plano, mais de 2 bilhões de mortes e provavelmente não conseguiremos investir os recursos necessários por pelo menos quatro ou cinco gerações).

“Bootstrapping Lunar Industry by Dave Dietzler”

http://space.nss.org/media/NSS-JOURNAL-Bootstrapping-Lunar-Industry-2016.pdf

O conjunto original de artigos do Paul Birch detalhando o design e a construção de um anel orbital e como eles podem ser usados para eletrificar o mundo e tornar o voo espacial rotineiro.

“Orbital Ring Systems and Jacob’s Ladders — I”

https://orionsarm.com/fm_store/OrbitalRings-I.pdf

“Orbital Ring Systems and Jacob’s Ladders — II”

https://orionsarm.com/fm_store/OrbitalRings-II.pdf

“Orbital Ring Systems and Jacob’s Ladders — III”

https://orionsarm.com/fm_store/OrbitalRings-III.pdf

Sobre a Síndrome de Kessler:

https://en.wikipedia.org/wiki/Kessler_syndrome

Texto original:

https://www.facebook.com/TrilbysRamblings/posts/1841095385952014?hc_location=ufi