Escalando

Quando mencionaram o teu nome pela primeira vez para mim, senti um frio na espinha que nunca tinha sentido. Como se minha intuição tivesse ligado algo dentro do meu inconsciente, na verdade foi mais como uma daquelas máquinas de choque.

Eu que já estava cansada das tentativas frustradas de me relacionar, das tantas vezes em que fui “intensa demais”, “apegada demais”, das vezes em que confiei mesmo sentindo que não devia, pq eu precisava quebrar a cara, sim, eu precisava. Sempre fui o tipo de pessoa que se joga no poço, chega ao fundo e escala tudo de volta até a superfície. Eu sou assim, sempre, em todos aspectos da minha vida. Por que romanticamente seria diferente?

Então, depois de esperar 30 anos, 2 meses e 11 dias, eu te conheci. Confesso não lembrar tão perfeitamente da sua roupa após você sair do carro, eu estava demais ansiosa e acabei me perdendo nos devaneios da minha mente. Mas foi teus olhos que fitei, e teu sorriso — você sabe o quanto amo seu sorriso, embora você não goste de sorrir nas fotos — por uns segundos creio que minha respiração parou, como se eu tivesse acabado de nascer, como um bebê segundos após o parto, e o impacto do ar entrando por meus pulmões pela primeira vez.

Daquele dia em diante você vem pintando a tela em branco que tinha decidido pintar minha vida, sobre todas as camadas de tinta envelhecida. Mas você, com suas cores fortes, quentes e frias, vem trabalhando suavemente, sem se incomodar com o que está por baixo. E te agradeço, por tornar tudo tão mais claro e real.

Hoje percebo que todas as vezes que cai no poço e o escalei foram necessárias. Pois agora sinto que com você podemos escalar não até a superfície somente, mas até o infinito!

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